Blog do Sarico

Ainda sem as câmeras


downloadNa última quarta-feira (26/03), estive em Soledade participando da reunião do Comaja (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Jacuí), do qual seu presidente é o prefeito de Tapera, Ireneu Orth. A reunião aconteceu no Salão Nobre da Prefeitura, às 13h30min.

No encontro de prefeitos, vice-prefeitos e secretários municipais, se falou de vários assuntos de interesse dos 30 municípios que integram o Comaja. E entre eles estava o Projeto de Videomonitoramento, que o Consórcio assinou em parceria com o governo do Estado, com o próprio governador Tarso Genro.

Os prefeitos foram a Soledade para saber qual o posicionamento do Palácio Piratini, após este gelo governamental no projeto. Acontece que estaria na reunião um representante da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) para falar aos mandatários municipais sobre o posicionamento do governo do Estado, que mantem o projeto em Banho Maria, repassando ao Comaja R$ 1,5 milhão, quando acenou, em documento firmado e assinado pelo próprio Tarso, repassar R$ 4,6 milhões. A manifestação do jovem delegado de Polícia Civil foi um balde de água gelada na cabeça dos prefeitos, que esperavam que o Piratini voltasse atrás e cumprisse o que prometeu ainda em 2010 e nos vários encontros mantidos com a presença de secretários do alto escalão.

Os prefeitos e vice-prefeitos presentes não escondiam a sua frustração com a resistência do governo gaúcho em cumprir a promessa feita a eles.

Depois que o delegado saiu da sala e retornou a Porto Alegre, levando junto um pedido de audiência com o governador Tarso Genro, para esta semana, os prefeitos continuaram a falar do projeto. Senti nas várias conversas na sala que o projeto não sairá se o governo não repassar os R$ 4,6 milhões prometidos. O R$ 1,5 milhão inviabiliza o projeto, porque nenhum dos prefeitos mexerá no seu caixa para bancar uma promessa governamental, afinal foi o governo quem propôs a parceria com o Comaja bem como as regras da mesma.

A impressão que se tem é que o governo se arrependeu do que propôs e quer pular fora, mas não sabe como fazer isso, porque assinou uma promessa e porque neste não tem eleição e Tarso Genro concorre à reeleição.

Conversando com alguns prefeitos, tirando 5 ou 6 municípios que estão com dinheiro para bancar o projeto, os demais não tem e não arrumarão recurso para bancar a promessa do governador. E se a maioria dos municípios não entrar no projeto, o mesmo ficará inviabilizado e sepultado de vez. Os prefeitos são claros em seus posicionamentos sobre colocar dinheiro em cima dele.

Para se entender o caso. O Projeto de Videomonitoramento proposto pelo Comaja, foi colocado no papel em 2010 e apresentado ao governador Tarso Genro, que o aprovou e acenou com o repasse de recursos do Estado. Entraria com R$ 4,6 milhões e o restante dos R$ 12 milhões, que é o valor do projeto, viriam da União, que entraria com R$ 1,8 milhão, já repassado ao Consórcio; R$ 2,1 milhões das prefeituras e os restantes R$ 3,5 milhões das empresas, dos municípios. O governo prometeu ainda pagar o valor – R$ 4,6 milhões – em duas parcelas, até 13 de setembro de 1013, e depois, em parcela única, no dia 28 de fevereiro de 2014. A data passou e o dinheiro não entrou no caixa do Consórcio.

Vamos esperar mais este capítulo da novela que se arrasta dede 2010 e que já produziu mais de 50 viagens a Porto Alegre, uma infinidade de telefonemas para secretarias e autarquias, várias reuniões na capital e o gasto de mais de R$ 250 mil com tudo isso. O governo do Estado roeu a corda.

“Antigamente se tinha palavra, que não vale mais. Depois, se tinha bigode, que também não vale mais. E agora, nem com documento assinado se tem garantia de algo”, me disse um dos presentes na reunião de Soledade.

Nesta semana o telefone da sede do Comaja, em Ibirubá, deverá tocar comunicando a data, local e hora da reunião com o governador Tarso Genro para se falar sobre o projeto. Vamos aguardar para ver se ela sai. Por via das dúvidas os prefeitos esperarão sentados.



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Responder Anônimo (1396136200192-122534) Cancelar resposta


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