Essas duas fotos vieram do álbum de um amigo e elas mostram o posto de combustíveis e a oficina mecânica da empresa Mombelli & Cia, o curtume de Tapera. Eu pedi para várias pessoas mais antigas se elas lembravam deles e nenhum dos que pedi se lembrou. Então, isso aí é coisa dos anos 1930/1940.
O pessoal com a certidão de nascimento mais amarelada deve lembrar desta parte do curtume, que ficava na esquina da Avenida XV de Novembro com a Rua Guido Mombelli, bem onde hoje está o estacionamento.
Do que me lembro daquela parte da empresa ali funcionou a oficina interna do Curtume.
Mas, vendo a foto vê-se uma bomba de diesel ou gasolina. E, encostados na parede, estão vários tambores que deveriam ter graxa para lubrificação, querosene para alimentar os lampiões após a luz ser desligada, depois das 23h, e gasolina ou diesel.
No prédio, na parte da avenida, está escrito na parede “Eletrotécnica e mecânica em geral para automóveis e caminhões”, e na parte da rua está escrito “Oficina de automóveis”.
Repare que a avenida ainda não era pavimentada. E o que seriam os dois postes plantados na frente do prédio? O que está no meio da avenida deve ser da luz que era fornecida por geradores movidos a combustível, das 06h às 23h, e o outro, na “calçada”, deve ser do telégrafo, forma de comunicação no povoado naquele tempo. Tudo pelo código morse.
E se reparar bem, numa das portas, aparece uma placa com a primeira logomarca da petrolífera Texaco, o que quer dizer que a bandeira do posto de combustíveis do Mombelli era Texaco.
Já na outra foto aparece o prédio onde ficavam os equipamentos de beneficiamento do couro. Repare ainda, que atrás não havia nenhuma construção da empresa naquela área. A ampliação da sua planta foi acontecendo com o passar do tempo, durante seus mais de 70 anos de atividades.
Outra coisa. Essa foto deve ter sido batida depois de 1932, pois na que aparece o posto, no alto, aparece a famosa e inesquecível chaminé do curtume, que todos aqui pensavam ser o responsável pelo não menos famoso apito nas várias horas do dia. E tem mais. Na foto do prédio dos fundos, é possível ver um fulão onde o couro era curtido (cozinhado quimicamente).
Note também, as casas que ficavam na Guido Mombelli, que dá acesso a Igreja Assembleia de Deus, Escola 8 de Maio e Secretaria de Assistência Social e Cidadania. O povoado termina na Rua Garibaldi, onde fica hoje a Capela Mortuária. Não é possível ver se o Grupo Escolar Barão de Caçapava, onde comecei os meus estudos, já existia. Mas, acho que não porque dá para se ver que no alto da imagem aparece um mato o que faz pensar que ali terminava o povoado.
Neste domingo, estava eu aguardando o começo da missa, na Igreja Matriz de Tapera, quando vi o Neri Nunes dos Santos adentar, em sua cadeira de rodas, com a sua família: a esposa Loni e as filhas, Lidiane e Luciane.
Na leitura das intenções, feita no início da celebração, um dos tópicos foi dedicado à ação de graças pela recuperação do Neri, pois naquele dia fazia um ano do acidente que mudou por completo a sua vida.
E, no final da missa, a filha Luciane leu uma mensagem muito emocionante, agradecendo o apoio dos amigos, bem como as orações da comunidade, seguida de uma grande salva de palmas ao radialista e ex-vereador.
Fiquei muito feliz de ver o Neri – que foi meu colega na antiga Rádio Gazeta de Tapera e, até um ano atrás, comunicava na Cultura – porque demonstra a sua reabilitação, após esse longo período de luta, em prol de sua saúde.
Desejo que ele continue evoluindo em sua recuperação, com fé e otimismo, e que Deus continue abençoando a sua vida.
“A transformação é um processo, não um evento”.
Desconheço a autoria.
Quem morou em Tapera nos anos de 1960 a 1980 conhece bem o prédio onde hoje está a Farmácia São João, ali na esquina do Clube Aliança, e onde por muitos anos funcionou a Loja Maldaner, e também da seringueira que saia de dentro dele como que buscando a liberdade.
Essa árvore marcou época aqui em Tapera e muita gente que a viu dentro e fora da loja se impressionava pelo seu tamanho e beleza. Eu a vi em crescimento dentro dela até quando teve de ser sacrificada em função do dano que provocava no prédio.
Da Loja Maldaner, eu lembro da vitrine que era montada na época do Natal. Naquele tempo, com pouquíssimas coisas para se fazer naquela Tapera, um dos programas era sair de casa à noite para caminhar, escapando do calor, para tomar sorvete e olhar as vitrines das lojas no centro, algo que ficou no passado, pois hoje não se sai mais para caminhar nem há vitrines para serem vistas e sonhar com que mostrava.
A propósito da Loja Maldaner, de propriedade de Edvino Maldaner, e que vendia materiais de construção para toda a região, ela abriu as suas portas em 1952, e encerrou as suas atividades em 1987, por opção dos proprietários.
A Prefeitura de Tapera está pensando em revitalizar também a Avenida XV de Novembro e quer saber o que os taperenses pensam a respeito. Para isso, está realizando uma pesquisa de opinião na internet.
Ela deseja saber se os taperenses querem que a Avenida XV de Novembro receba asfalto ou que seja mantida a atual pavimentação, de PAVS.
Eu penso que asfalto é bom, é progresso, porém ele não permite o escoamento da água em dias chuvosos e seguidamente haverá remendos em boa parte da sua extensão por que sabemos como é o terreno no centro. Já com os PAVS, existe o escoamento da água, mas quando é preciso remendar/trocar canos ficam aqueles desníveis ao longo da via.
Ainda acho que o asfalto é melhor, mas é preciso haver escoamento porque basta uma boa chuva para o centro virar um inferno.
A pesquisa, que ficará disponível por uma semana, pode ser acessada no https://forms.gle/oMLdcmC3jALgPZ3g7 .
Sobre pesquisa ainda. Acho que ela deveria ser utilizada doravante por que atinge mais pessoas, sem tirá-las de sua casa ou trabalho, uma vez que audiência pública não funciona e isso está comprovado.
“Toda mentira carrega a verdade sobre o caráter de quem mente”.
Desconheço a autoria.
Afinal, para onde caminha a humanidade, com essa necessidade de depender das máquinas para tudo? Penso que o homem está trilhando um caminho muito perigoso, nesse sentido. No momento, pode estar sendo tudo às mil maravilhas, pois estamos curtindo todas as facilidades e todo o conforto proporcionado pela tecnologia, que está presente em todos os âmbitos da nossa vida.
Mas, será que as máquinas e a inteligência artificial não vão acabar comandando o mundo, um dia? Parece filme de ficção científica tudo isso, não é mesmo? Mas, pensa bem.
Atualmente, já podemos perceber, por exemplo, que a evolução tecnológica está ameaçando empregos. Frequentemente, tem-se notícias de que as máquinas estão substituindo a mão-de-obra humana e, consequentemente, fechando postos de trabalho ou tornando obsoletos determinados ofícios.
Um exemplo clássico dessa questão, sempre visto nos filmes estrangeiros, é o do abastecimento dos veículos com autoatendimento. Nesses lugares, não existe a figura do frentista, porque é o próprio cliente que abastece o seu carro e efetua o pagamento, por meios eletrônicos. Aqui no Brasil, inclusive, já tinha até deputados propondo projetos de lei para implantar esse modelo, nos postos.
Outro exemplo é o fato de que, em outros países – e em cidades daqui do Brasil, inclusive – já é possível ir ao supermercado, à farmácia e a outros comércios, com a possibilidade de você mesmo passar as suas compras, empacotá-las e efetuar o pagamento, em uma máquina de cartão. Nesses lugares, ainda existem os caixas convencionais, com os funcionários exercendo as suas funções, mas, em número reduzido. Porque, infelizmente, está se criando essa ideia de que, tendo a máquina – que não é assalariada e não gera despesas às empresas – o humano torna-se dispensável.
Mais um exemplo, nesse sentido: as tecnologias de pagamento digitais (PIX, cartão de pagamento com leitor por aproximação, QR Code), apesar de serem revolucionárias e muito úteis no dia-a-dia, também contribuem, de certa forma, para a extinção de postos de trabalho, pois, com o “desuso” do dinheiro físico, a figura do caixa (da pessoa que recebe pagamentos) acaba perdendo o sentido.
Enfim, destaco que são inúmeros os exemplos que podem ilustrar essa nova perspectiva de mundo que está surgindo. E o setor industrial (e, até mesmo, o agrícola) também estão enfrentando essa redução de pessoas, que estão, cada vez mais, sendo substituídas pela automação.
De maneira alguma, estou defendendo ou incitando, aqui, a extinção de postos de trabalho. Muito pelo contrário: é, justamente, uma crítica sobre a nossa relação com as novas tecnologias e os impactos que isso proporciona na sociedade.
Aos poucos, as máquinas vão dominando o nosso cotidiano, sem percebermos. Até que alguém perde o seu emprego, sob a justificativa de que o seu trabalho não é mais viável, porque o seu serviço será automatizado.
E para onde vão essas pessoas? Conseguem se reestabelecer em outro emprego, em outra função? Como vai ser a sua sobrevivência e a de sua família? Todos esses questionamentos são muito preocupantes.
Reiterando o que eu já havia comentado, obviamente, a tecnologia é muito útil em nossa vida, facilitando nossas atividades e nos trazendo muita comodidade. Mas, acredito que ela está tomando uma dimensão inesperada e impactará a nossa sobrevivência.
Para encerrar esse assunto sombrio, eu trago uma frase que pode ser aplicada nesse contexto – que pode ser interpretada de forma cômica ou trágica, como queira: “a cada dia que passa o apocalipse deixa de ser um medo e se torna uma esperança”.
A Prefeitura de Tapera, através da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SEMASC), realizou no último dia 15, uma pesquisa habitacional para saber a demanda por habitação no município.
Segundo a Secretaria, as demandas levantadas na oportunidade foram as seguintes:
– 138 necessitam de subsídio para aquisição de terreno e construção de casa;
– 83 necessitam de reforma geral na casa;
– 21 precisam de terreno para construir;
– 20 necessitam de subsídio para construir a casa;
– 7 precisam de reforma ou construção de banheiro.
Até o momento, não se tem nada sobre loteamento em Tapera, mas a Prefeitura deve estar atenta neste sentido. O governo federal já acenou com o retorno do programa Minha Casa Minha Vida e o município deverá ter uma área e um projeto para se adequar a ele.
Pelo que apontou a pesquisa, Tapera tem um déficit habitacional de 138 moradias.
– Faz da tua casa uma festa: ouve música, canta e dança
– Faz da tua casa um templo: reza, ora, medita, pede e agradece
– Faz da tua casa uma escola: lê, escreve, desenha, pinta, estuda, aprende e ensina
– Faz da tua casa uma loja: limpa, arruma, organiza, decora, muda de lugar e separa para doar
– Faz da tua casa um restaurante: cozinha, prova, cria, cultiva e planta
Enfim, faz da tua casa um local criativo de amor e viva bem.
Desconheço a autoria
Essa foto mostra a então Vila Tapera, lá no começo dos anos 1940, ainda pertencente a Carazinho e em plena II Guerra Mundial, cujas notícias chegavam até nós através do rádio, e com atraso.
Vou identificar algumas partes do povoado com números e aí você vai se localizando naquilo que foi começo da nossa cidade:
1 – A nova (e atual) Igreja Matriz, que começou a ser construída em 1932 e inaugurada em 1934. Repare atrás dela o “clarão” existente sem os atuais bairros e sem tudo que existe lá nos altos: Prefeitura, Câmara de Vereadores, Fórum, Ministério Público, Defensoria Pública, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros e Secretaria de Infraestrutura.
2 – A “Casa Canônica”, hoje Casa Paroquial, a residência dos padres. Nesta casa, anos mais tardes, nós os coroinhas nos reuníamos na sala do padre Tenário Seibel, nas tardes de sexta-feira, para o sorteio de quem iria ajudar nas missas da noite, do sábado e nas duas de domingo, e ainda na semana seguinte.
Sempre tive a curiosidade de subir no segundo piso daquele casarão para ver como era. Nunca subi lá pois achava a casa sombria. Imagine…
Nós entravamos nela pelo lado, que dava de frente para a porta lateral da Igreja. E na sua frente havia um grande jardim com muitas flores, lembro.
Ao lado da Casa Paroquial está o Hospital Roque Gonzalez, que não aparece na foto, ainda de madeira. Ele foi inaugurado em 1941 e pegou fogo em 1943, sendo logo reconstruído pela comunidade.
3 – O antigo prédio do Colégio das Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, que hoje se chama Instituto Estadual de Educação Nossa Senhora Imaculada. Daquele casarão enorme eu lembro da entrada, do canteiro que havia no centro dele. Também, da sala onde tivemos a catequese, que ficava à esquerda, na última porta. Da sala lembro ainda de um painel na parede com uma estradinha com várias palmeiras e oliveiras e da figura de Jesus Cristo caminhando por ela. Ainda, do filme “Marcelino Pão e Vinho” e da música “Pão e Vinho”, que cantávamos incessantemente.
Também lembro do grande piano que havia numa das salas e de uma senhora e uma freira que tocavam músicas que não se ouvia nas rádios e que hoje sei que eram clássicas. Hoje, sei que a música que eu ouvia e gostava era “Jesus, alegria dos homens”, de Bach, tocada pela Dona Rosinha Erpen, se não me falha a memória.
A propósito das freiras. Hoje, não temos mais nenhuma em Tapera e elas estiveram por muitos anos em grande número no colégio, nos dois hospitais e também no seminário.
E atrás do colégio, no fim do vilarejo, aparece o mato de pinheiros dos Batistella.
4 – O prédio do Café Diana, o segundo construído em alvenaria em Tapera e que continua aí, certamente com mais de 80 anos.
Aquele prédio, que foi ampliado mais tarde, teve de tudo: rodoviária, boate e churrascaria. Hoje, o bar continua, e ainda tem a Floricultura Criativa e o bazar da Lúcia Sattler.
5 – Prédio construído por Pedro Würzius, o primeiro em alvenaria de Tapera, e que mais tarde foi sede do Tapera Bureau por décadas e onde hoje está o Escritório Ritter.
Eu, como muitos outros em Tapera, trabalhei por anos no Bureau.
6 – Prédio do saudoso e inesquecível Cine Avenida, do Gentil Batistella, parada obrigatória nas sextas, sábados e domingos para assistir grandes filmes, mesmo que com atraso. Também víamos o Canal 100, com gols do campeonato brasileiro, também com atraso. A coisa não era como hoje.
A propósito de filmes com atraso. Lembro que assisti “Tubarão”, em 1978, três anos após o seu lançamento. Hoje, vemos pela internet filmes lançados na semana anterior.
7 – Parte do Curtume Mombelli, que tocou a vila e a cidade por mais de 70 anos e que empregou algumas centenas de pessoas.
E aí se vão mais de 80 anos. Tapera pertenceu a Passo Fundo, depois a Carazinho, de quem se emancipou em 1954. Selbach se emancipou de Tapera em 1966 e Lagoa dos Três Cantos em 1992.
Para se ter uma ideia, o Apostolado da Oração completou recentemente 93 anos. Então, Tapera, com toda certeza, deve ter mais de 120 anos.
Veja se você encontra mais alguma coisa interessante nesta foto.