Blog do Sarico

América


Economia 1As vaias que o América sofreu no sábado, ao final da partida contra a ASTF, no Poliesportivo, revela o momento vivido pela equipe. O time é inconstante e imprevisível e não consegue fazer um jogo 100%, mesmo contra equipes supostamente inferiores. Está difícil de ver o time se apresentar assim. É um teste de paciência. Quem vai ao ginásio ou acompanha os jogos pelo rádio não consegue se manter na estrada. O torcedor alterna, num mesmo jogo, aplausos e risos de satisfação com uma boa jogada ou um gol com raiva e indignação pelos erros cometidos contumaz.

Na partida de sábado o América apresentou parte do seu portfólio de erros, começando pelo excesso de passes errados que resultaram em três dos quatro gols da ASTF.

Na segunda etapa, a expulsão de Alisson mostrou ainda o inferno astral por que passa a equipe. O atleta, que entrou como goleiro linha, o fez vestindo a camisa com Ban ainda em quadra. Recebeu cartão vermelho e desfalca o time para o próximo compromisso.

O pessoal reclama que não falo dos acertos e do lado bom da equipe, mas é impossível lembrar deles com tantos erros. E erros somente são esquecidos se houver vitória e ai se faz vistas grossas para eles, mascarando uma realidade que logo ali na frente mostrará sua cara feia.

O América carece de gente para jogar, atrás e na frente. O quadrado que começa é limitado e quando é trocado a coisa complica.

Em nosso trabalho ninguém quer saber se você tem problemas ou deficiência para atuar. Clientes e patrões querem resultados e não querem saber de mais nada. Explicações para eles não interessam. No meu trabalho, por exemplo, o pessoal quer a notícia rápida e correta, não importando o tempo que se gaste com o levantamento da informação, a produção do texto e o preparo das fotografias. Posso ficar um dia me explicando que não convencerei nem o cachorro do meu vizinho que late desesperado quando o sino da igreja toca.

O problema é que o campeonato vai andando e o América, com cinco empates em nove jogos, vai somando ponto por ponto e não sobe na tabela. Daqui a pouco termina a competição e, com boa sorte, poderá ficar entre os quatro desclassificados, mas que permanecerão na Ouro 2016. Mas, por outro lado, poderá terminar na garagem e jogar a Prata 2016.

O tempo está passando e cabe tão somente ao América saber o que quer para si daqui para frente. O sinal vermelho começou a piscar.

Violência


images (2)Na semana passada, a Polícia Civil de Passo Fundo colocou as mãos em uma quadrilha, composta de jovens, especializada em roubar casas de médicos na região, inclusive aqui em Tapera. Imagine o grau de exigência da bandidagem ao escolher as suas vítimas.

O problema é que a polícia pega um grupo e logo surge outro no mesmo lugar, sem falar dos que poderão vir de outros lugares. A vida está como uma estrada esburacada onde se fecha um buraco e logo outro se forma ao lado. O crime corre solto e a polícia não consegue acompanhar a sua velocidade. E não é por falta de vontade dela. A briga é desigual.

E as câmeras de monitoramento? Será que elas chegarão ainda nesta década? Elas não terminarão com a criminalidade, mas poderão diminui-la sensivelmente. Tendo câmeras nas entradas da cidade e alguém para vigiá-las esse policial verá carros, placas e ocupantes. Se os malandros estiveram encapuzados ele acionará imediatamente o “alarme”. Mas, os bandidos, antes de agir, sondam a cidade e as possíveis vítimas. Sabendo que estão sendo vigiados, pensarão duas vezes antes de agir, pois bandido não gosta de dúvida ou de correr riscos desnecessários. Ele gosta é do elemento surpresa do seu lado. Mas, com olhos espalhados pela cidade isso o incomoda.

Uma coisa. A polícia acha que não, mas será que os bandidos não têm olhos aqui na cidade? Sim, por que os caras vêm e vão sabendo aonde ir. Como pode se são de fora?

Derrota


Derrota 1 1Quando um tenente-coronel da nossa gloriosa e centenária Brigada Militar pede a população para chamar o Batman para lhe proteger, numa manifestação popular, é por que a coisa está feia mesmo e o Estado perdeu o controle virando refém da bandidagem. Estamos muito próximos do fundo do poço. E quando batermos nele o que acontece?

O coronel, mesmo não falando em canal oficial da BM, não deveria nem pensar numa resposta dessas, afinal a população, em pânico, está temendo até o mexer das folhas nas árvores.

Seleção


Racismo 1Com esse time que o Dunga montou e os jogadores que temos ai, no País e no exterior, você acredita que o Brasil conquistará o Hexa em quanto tempo? Prepare-se para um longo jejum.

20 anos de internet


A Saúde em Tapera 1Estamos completando 20 anos de internet, essa maravilha que veio para melhorar e facilitar a vida da gente. O mundo, com toda certeza, pode ser dividido em antes e depois da internet.

Lembro bem de como comecei a mexer com a internet e com o computador. A primeira vez que vi um PC, ao vivo e pude mexer num, foi em 1995, no Escritório Contábil Kunzler, que funcionava na casa da família Chassot, na Avenida XV de Novembro. Eu trabalhava na Rádio Gazeta de Tapera, atual Cultura, e fui até lá para cobrar a publicidade mensal. Ao chegar vi a Juraci Schwantes escrevendo num deles, que ocupava boa parte da sua mesa. Cobrei o Zé, conversei um pouco com ele e vazei em direção ao computador da “Jura” para ver como era aquilo. Aquela máquina era muito diferente das que eu havia trabalhado, especialmente por poder ver a escrita maior e melhor e mudar a fonte sem precisar trocar a margarida da IBM eletrônica, uma modernidade e tanto para a época. Imagine a diferença… Eu conhecia o computador pela televisão, jornais e revistas, mas nunca tinha visto um de perto. E aqui em Tapera não havia muitos deles. Parece brincadeira isso, mas foi bem assim e não faz tanto tempo assim.

Em 1996, entrei na universidade e, pela profissão e estudo, precisava trocar minhas máquinas de escrever Olivetti – Línea 88 e Lettera portátil – por uma daquelas que facilitavam o trabalho uma barbaridade. Lembro que ao entrar na faculdade poucos em Cruz Alta tinham um computador em casa e quem mexia num era apenas no trabalho. Notebook ninguém sabia o que era. Na metade daquele ano comprei um Pentium 386 com 166 Mhz, 16 MB de memória e “kit multimídia”. Comprei no Paraguai, pagando 1/3 do valor no Brasil, que era caro a beça. Era uma máquina e tanto. Lembro que uma colega de Cruz Alta, que sentava ao meu lado, ficou impressionada com ela. Imagine…

E a internet? Bem, a internet veio logo em seguida. E, diferente de hoje, ela era discada, barulhenta, demorada e cara. Para entrar não era fácil e tinha de ser à noite, quando o telefone não era utilizado. Se entrasse na internet a linha telefônica caia. Com ela a conta telefônica ia ao teto no final do mês, pois consumia 40% do valor. Eu utilizava o discador IG e adorava o barulho da conexão. Mas, aquela internet, com o que se podia fazer nela, que era quase zero se comparado com a de hoje, era uma emoção indescritível. Quem viveu isso sabe o que falo.

Depois comprei um telefone celular. Um Nokia, que não lembro o modelo. O aparelho servia apenas para conversar e conversar era difícil, pois, diferente de hoje, poucos tinham um aqui em Tapera. Uma noite, no Clube Aliança, após um jogo do Kings Club pelo Estadual de Futsal, a equipe da rádio foi jantar com a direção e jogadores. De repente tocou um telefone e tocou insistentemente e ninguém o atendia. Ai o narrador José Luiz Ortiz me disse que o telefone que estava tocando era o meu. Atendi, constrangido, por que todos olhavam para mim. Naquele local, havia umas 40 pessoas e dessas menos de 10 tinham um celular.

E hoje? Bom, hoje imagina você sem celular e internet. Sobreviver sem eles é impossível. Que coisa a vida da gente com o passar dos anos, não é mesmo? E como será o mundo daqui há 20 anos?

Preferência


Mudança de foco 1Alguém já se perguntou por que esses roubos à residência que acontecem tão seguidamente em Tapera não acontecem na mesma intensidade em Ibirubá, Não-Me-Toque e Espumoso, só para citar estes, municípios maiores do que Tapera? Afinal, o que Tapera tem que atrai quadrilhas de todo o Estado?

Kiss


GettyImages_187945460Começou nesta terça-feira (02), na Justiça Militar de Santa Maria (RS), o julgamento do Caso Kiss. E no banco dos réus, nesta primeira parte, estão oito bombeiros, entre os quais dois tenentes-coronéis e um capitão. As famílias dos 242 jovens mortos no incêndio do dia 27 de fevereiro de 2013 querem saber qual será o final dele e se alguém será responsabilizado. Também, se caberá indenização, de quanto, quem a pagará e quando acontecerá.

Não é pelo dinheiro, mas pela memória de 242 pessoas que saíram de suas casas para se divertir, depois de uma semana intensa de batalha no trabalho, na escola e na universidade e jamais retornaram para suas casas com vida.

Quem tiver dinheiro pagará um bom advogado e esse profissional vai deitar e rolar no tribunal, envolvendo ao máximo os jurados. Poderão não absolver seu cliente, mas se esforçarão ao máximo para reduzir sua pena e depois a própria lei cuidará dele, com carinho e luvas de veludo. E coitado de quem não puder pagar um bom.

Não sei, mas alguma coisa me diz que, ao final de tudo, os culpados ainda serão os mortos que não deveriam ter ido para a Kiss naquela noite, em busca de diversão. Estamos no Brasil, com suas leis, não esqueça.

Momento econômico


imagesEconomia é um tema danado de se saber e de lidar, mas que é importante por que toca a vida da gente. Pode não parecer, mas é isso mesmo. E de várias maneiras. Você já se antenou para isso algum dia? Agora, como está de fato a nossa economia? Enquanto um pessoal pede cautela nos gastos com o dinheiro, gastando somente se houver extrema necessidade, os comerciais na televisão e em outros veículos, apelam dizendo que a hora de comprar é agora. Essa confusão entre poupar e gastar deixa a população em parafuso, por que de tanto martelar a ideia em sua cabeça, o brasileiro, que adora gastar, gastar mais do que ganha e comprar sem necessidade, fatalmente acabará comprando e comprometendo seu bolso.

A mesma coisa acontece na política. Enquanto o pessoal ligado ao governo insiste em dizer que o País vai bem e elencam os avanços e ganhos obtidos, como se isso fosse tudo, outros, com os pés nos chãos e sem olhar a economia na forma política, dizem que o País está devagar, que tem muito a ser caminhado ainda e que é preciso ter consciência nos gastos. Os economistas sabem que o momento atual é de cautela. Já os empresários, que também sabem disso e bem, vivem do comércio, da produção e da venda, mas precisam forçar o consumo dos seus produtos e serviços. Então, é preciso que cada pessoa, com inteligência, saiba o momento certo de comprar. E se de fato precisar.

E você, que sabe o custo para ganhar seu dinheirinho todo final de mês, que paga por benefícios e serviços que não tem e que sabe o preço de viver, o que pensa a respeito? A hora é de esquecermos nosso lado político e começarmos a pensar em nossa carteira.

Sentença imediata


justicia uruguayEsses casos envolvendo assassinatos e mortes violentas condenam os indiciados antes mesmo deles ir a júri, pela opinião pública, graças à imprensa e a maneira como noticia o fato, “fatiado” e por tempo determinado, até esgotar o material compilado. Ela faz isso para segurar a audiência e depois que o conteúdo é esgotado esquece o caso e fica aguardando o próximo. Só que ai o estrago já foi feito na cabeça da população. Se isso acontece nos países de primeiro mundo, imagine naqueles onde o povo gasta para eliminar concorrente de reality show.

E mesmo que o júri mude de cidade, também lá existirá a pré-condenação. Quem assiste ou lê sabe de cara quem é o culpado ou culpados.

E que fique bem claro: errou, aguente as consequências do ato, premeditado ou impensado.

A imprensa realiza grande serviço à população, mas às vezes é leviana pela maneira como coloca determinado assunto, pois para “segurar” as pessoas, às vezes coloca os pés pelas mãos. Esta mesma imprensa acerta, mais do que erra, mas quando erra o resultado é o pior possível.

Eu, enquanto jornalista e editor, leio várias vezes um texto antes de publicá-lo, pois é preciso estar dos dois lados. Pela verdade e pela Justiça. E nada a ver com ficar em cima do muro.

Se bem que, no Brasil, com muita demora, crime tem julgamento e sentença. E em caso de condenação existem prazos e benefícios como redução de pena, bom comportamento, ser primário, entre outros, coisas que só os operadores do Direito conseguem entender, para desespero da população que tem a sua vida alicerçada sobre regras bem claras – para ela – no seu dia a dia. E é duro ser população assim.

Humanos e ciborgues


Humanos e ciborgues 1Em palestra durante a Hay Festival do Reino Unido, o historiador Yuval Noah Harari, da Universidade de Jerusalém, disse acreditar que, ao longo dos próximos 200 anos, os seres humanos irão lentamente se misturar com aparelhos tecnológicos para se tornar ciborgues.

“Acredito que nos próximos 200 anos mais ou menos o Homo Sapiens irá se atualizar, seja por manipulação biológica, seja por meio da criação de ciborgues, parte orgânicos e parte não-orgânicos”, arriscou.

Harari, autor do livro “Sapiens: a Brief history of Humankind” (Sapiens: uma Breve História do Gênero Humano), acredita que será a maior evolução na biologia desde o aparecimento da vida. “Nada mudou em 4 bilhões de anos em termos biológicos. Mas, nós seremos [no futuro] tão diferentes dos humanos de hoje quanto os macacos são de nós”.

Isso ai parece filme de ficção, mas que preocupa e faz pensar. Três coisas que me preocupam: 1 – Essa tecnologia ciborgue aumentaria ou diminuiria o abismo entre ricos e pobres? Só o rico seria imortal? 2 – O homem ou o ciborgue conseguiria criar órgãos vitais, como o cérebro, por exemplo? 3 – E quando um quiser dominar o outro como ficaria?