Blog do Sarico

Os filmes de ontem e de hoje


Uma coisa que eu gosto muito é de filmes. Não são todos, por que assim como na música, não sou eclético. Eu tenho os meus gostos e respeito os demais. Mas, num dia destes assisti no Telecine Cult o filme “Quo Vadis?”, uma mega produção para os padrões da época (1951) e com um elenco bem interessante.

Não quero falar sobre o filme, mas como ele foi produzido. E me surpreendeu a quantidade de cenas sobrepostas em outras. Teve uma parte em que um homem e uma mulher, ela amarrada a um tronco, estão no Coliseu sendo ameaçados por um feroz touro e o homem precisa matar o animal antes que ele mate os dois. Então, a imagem deles é colocada sobre outra em que aparecem a arena e o touro, algo muito amador pelos padrões de hoje. E na luta do homem com o touro dá para se ver perfeitamente que é outro animal, bem mais calmo e não aparece o Coliseu.

Aí lembrei de outros filmes dos anos 1970 e 1980 como Guerra nas Estrelas e Jornada nas Estrelas, onde as naves e as paisagens, vê-se perfeitamente que são imagens paradas. No Parque dos Dinossauros tem uma cena em que o raptor, na cozinha caçando o casal de irmãos, não aparece a sua cauda que, pelo visto, não estaria terminado o boneco, assim como em Tubarão 1, onde em duas partes acontece o mesmo com o bicho.

E assim acontece com vários filmes antigos, que penam hoje devido à alta tecnologia utilizada na produção dos filmes atuais. Acontece que, naquele tempo, não havia tecnologia e os investidores tinham pressa no lançamento para faturar, assim, o diretor, pressionado, tinha de se virar nos 30 com o que tinha nas mãos, apelando muito para a câmera (zoom).

Mesmo assim, é muito bom ver filmes antigos. Aliás, falando em filmes, lembro do Cine Avenida de Tapera (RS), que começou na Avenida XV de Novembro e terminou na Rua Rui Barbosa. E lembro dos muitos e bons filmes vistos lá em sessões nas sextas, sábados e domingos à noite quando adulto e também as matinés nos domingos à tarde quando criança.

Quando eu era criança ganhava da minha mãe duas moedas, sendo uma de 50 centavos para o ingresso e a outra de 20 centavos que dava um montão de balas, daquelas azedinhas de papel verde, para chupar e também atirar na tela quando a fita “rebentava”.

Lembro ainda dos grandes cartazes que a equipe do Gentil Batistella, dono do cinema, colocava na frente do cinema e também na frente do Café Diana, sendo aquela a maneira de informar a população dos filmes que seriam rodados.

Agora, naquele tempo não era fácil assistir os grandes filmes que apareciam nos jornais de Porto Alegre e também na televisão. Não era que nem hoje onde um lançamento pode ser assistido na semana seguinte. Para se ter uma ideia, o filme Tubarão 1, rodado em 1975, eu o assistir em Tapera em 1979. Quem morava ou estudava em Porto Alegre via os filmes meses depois. Vantagem de se estar num grande centro, diferente dos menores que tinham de esperar a fita rodar o país inteiro nas grandes salas. E, por isso, pelo excesso de uso, o filme arrebentava quando esquentava na máquina e nós achávamos que o falecido Bodão, projecionista do Cine Avenida, cortava a fita de propósito. Que maldade a gente fazia com ele.

Os filmes atuais são maravilhosos pela alta tecnologia utilizada nos efeitos especiais, agora nada tira o brilho de uma produção feita no “braço” como se diz. E também no olho.



Comentários

Responder Anônimo (1733964208315-509472) Cancelar resposta


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