Blog do Sarico

O casarão da XV


Eu tenho em meus arquivos um bom número de fotografias antigas de Tapera, de antes e depois dela se transformar em município. E, em algumas delas, aparece o casarão aquele que foi, entre outras coisas, o Supermercado do Bruno, e que ficava ali na esquina da Avenida XV de Novembro com a Rua Guido Mombelli. O mesmo foi construindo nos anos 1920/1930, não se sabe ao certo, quando Tapera ainda era um distrito.

Pois, aquele grande prédio de madeira de dois pisos, que teve vários proprietários e reformas, teve de tudo nele: salão de baile, loja, hotel, residências, sede da primeira Prefeitura e da primeira Câmara de Vereadores e, por último, o Supermercado do Bruno, até ser demolido.

Em 1923, Dovilio Nicola instalou nele, na parte de cima, o Hotel Riograndense, que funcionou até 1940. Mais tarde, na parte debaixo, serviu de sede para uma grande loja de secos e molhados, a Fockink Cia Ltda, que vendia de tudo para a época. No final dos anos 1950 e começo dos 1960, ali funcionou a Prefeitura do recém emancipado município e também a Câmara de Vereadores. E no final foi o Supermercado do Bruno, até ser demolido para dar lugar a um prédio que hoje ali está com apartamentos e lojas, entre os quais a Utilar e o Banco Bradesco.

Agora, quem não lembra do Bruno e da Vilma Helsenbach e também do Harri, irmão do Bruno? Pessoas maravilhosas. Lembro também do escritório do Harri e da sua “organização”, com aquela montoeira de notas fiscais, pedidos, moedas, entre outras coisas sobre a mesa? E do supermercado em si? Lá tinha de tudo, mas de tudo mesmo. O padrão de mercado era completamente diferente dos atuais.

Naquela época não havia embalagens como hoje, se bem que não havia produtos como os atuais. Assim, tudo era vendido a granel, em grandes tulhas onde o pessoal as abrias pegava o que queria com uma concha metálica e calculava a quantidade a ser levada até a balança, que ficava na frente. Também lembro que, com pouco dinheiro se comprava muito naquele tempo.

No alto do prédio, haviam dois “apartamentos” onde moravam os Helsenbach e os Benedetti.

A casa que aparece à direita do prédio era a residência do Heitor Viau, que era uma espécie de juiz de menor. Hoje, no lugar, está o Banco do Brasil.

Na área que aparece à esquerda do casarão, era a residência dos Di Domênico. Mais tarde, a Dona Nelsi Di Domênico, mãe do Necão, abriu a sua loja de roupas, sendo minha cliente nos tempos da Rádio Gazeta, lá nos anos 1980/1990.

Não aparece na foto, mas no lado esquerdo, mais tarde foi construído um prédio que foi endereço de uma loja de confecções, a Casa Paulistana, se não me engano, de propriedade de uma família de libaneses, cujo patriarca, Abdes Samie Musa Dawud Ismail, ficava bravo quando chamavam eles de “Turco”. Acontece que, segundo ele, para entrarem no Brasil eles tinham passaporte turco, da Turquia, pois o Líbano não tinha acordo diplomático com o Brasil naquele tempo. Os quatro filhos do “Turco” nem davam bola para isso.

A propósito. Nesta loja nós comprávamos os tecidos para a confecção das fantasias do Sacks Block, para o Carnaval no Clube Aliança e também na rua. “Olha o bloco dos sujos que não tem fantasia, mas que traz alegria…”.

Agora, repare a Avenida XV de Novembro sem calçamento e canteiros, bem como a hoje Rua Guido Mombelli, que ainda não havia sido aberta.



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