Blog do Sarico

Emprego tem, mas…


Ainda falando sobre o mercado de trabalho aqui em Tapera. Nesta semana, uma empresária se queixou que está tendo dificuldade para contratar gente para trabalhar. A sua empresa está aquecida, com muitos pedidos, mas não está conseguindo cumprir prazos, em função da falta de trabalhadores.

Ela disse que não dá para entender, que muito se fala em desemprego, mas, ao mesmo tempo, as empresas não estão conseguindo captar funcionários. Comentou que falta qualificação e, principalmente, disponibilidade para trabalhar, para cumprir horário.

“A impressão que se tem é que o pessoal quer trabalhar onde quiser, ganhar quanto quiser e não ter de cumprir horário. Será que nós – empresários – é que estamos errados?”, indagou ela.

Afinal de contas, tem ou não tem vagas de emprego em Tapera? Os empresários dizem que tem – e bastante – mas o pessoal se queixa do salário pago, que é pouco, segundo eles. Mas, será que ficar sem emprego, até encontrar algum serviço que esteja totalmente dentro de suas expectativas, é melhor? Até porque viver tem um custo – e bem alto, diga-se de passagem, principalmente, em tempos de hiperinflação.

Já outro empresário alega que o problema é a falta de vontade, por parte dos jovens entre 18 e 25 anos, de trabalhar. “Eles só querem ser for sem compromisso de horário e para ganhar bem”, disse. Talvez, isso seja um sintoma da chamada “geração nem-nem: nem estuda, nem trabalha”, que afeta o Brasil.

Os jovens de hoje têm outra mentalidade, muito diferente à da minha geração, por exemplo. Parece que, atualmente, essa gurizada quer estar imune a tudo: compromisso, estresse, dificuldades… Querem viver uma vida de sonhos que não existe. E não encaram os desafios da vida, porque sabem que os pais vão estar sempre lhes amparando. Mas, e quando eles se forem?

Penso que não é assim que as coisas funcionam, porque essa juventude de hoje vai ser o nosso amanhã. E, sem comprometimento da parte dela, o que vai ser do país, daqui a alguns anos? Porque precisamos de mão-de-obra para suprir as demandas básicas da sociedade, não é mesmo?

Eu até compreendo que, talvez, as relações de trabalho estejam se modificando, com o passar do tempo. Mas, isso é algo que requer uma harmonização entre quem contrata e quem será empregado, porque, diante desse desequilíbrio nas contratações (muita oferta de emprego e baixa aceitabilidade por parte dos candidatos às vagas), quem sai perdendo é a comunidade como um todo, que deixa de produzir e de gerar receitas.



Comentários

Responder Anônimo (1656072807071-250501) Cancelar resposta


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