Blog do Sarico

Frente a frente com a AIDS


Nesta semana, vi uma reportagem em um canal de TV, mostrando uma entrevista feita com um portador de AIDS, no começo dos anos 90, e uma outra com a filha dele, entrevistada recentemente, falando sobre a condição do seu pai à época.

A partir disso, imediatamente, me lembrei de um trabalho de faculdade, sobre essa mesma temática, que fizemos eu, então acadêmico de Jornalismo, e o Adriano Knop, acadêmico de Publicidade e Propaganda, em 1997, no Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, há 25 anos.

A cadeira era Antropologia Cultural e o tema: pessoas excluídas. O nome da professora infelizmente eu não lembro.

Recordo que nós entramos em contato com o hospital, o qual, somente após três tentativas, nos autorizou a entrevistar alguns pacientes da ala destinada ao tratamento de portadores de AIDS, que ficava em um porão, em uma ala isolada do restante daquela casa de saúde. Para que a nossa entrevista fosse possível foi preciso obter a autorização dos pacientes e sem fotografias.

Tudo isso porque, naquela época, ainda não havia estudos suficientes a respeito da doença, então, se considerava que o vírus da AIDS (HIV) era transmitido também pelo ar. Além disso, naquele tempo, havia muito medo em torno da doença, além de toda a estigmatização e do preconceito envolvendo os pacientes – sentimentos, esses, que eram muito mais intensos do que hoje.

Prosseguindo na minha narrativa, então, ingressamos na unidade em uma tarde, acompanhados por uma enfermeira, que supervisionou a nossa entrevista durante todo o tempo em que lá estivemos. Eram 11 pacientes, sendo 06 mulheres e 05 homens, que recebiam o tratamento necessário para amenizar os sintomas da doença, que, naquela época, infelizmente, possuía um alto índice de mortalidade.

Fizemos inúmeras perguntas aos entrevistados, aos que autorizaram, sendo que nem todas foram respondidas. Era visível o constrangimento deles – mas o intuito de nossa entrevista era, justamente, dar voz a essas pessoas que acabavam se tornando invisibilizadas pela nossa sociedade e alguns também por familiares seus. Além disso, era perceptível o medo em seus olhos, pois eles já sabiam qual seria o seu destino, em um futuro bem próximo.

E, infelizmente, assim aconteceu: em menos de um ano de nossa visita ao hospital, tivemos a triste notícia de que os 11 pacientes haviam falecido.

De lá para cá, a Ciência evoluiu e, hoje, existem inúmeros medicamentos que conferem uma melhor qualidade de vida aos pacientes, possibilitando-lhes viver normalmente, além de prolongar a sua expectativa de vida – o que, de forma alguma, exclui a necessidade de a doença ser encarada com seriedade.

Outro ponto crucial, nesse contexto, é que, com o avanço da Ciência, automaticamente, passamos a ter mais informações sobre toda a conjuntura envolvendo a AIDS, especialmente, as formas de transmissão e os métodos de prevenção, com a adoção de campanhas de conscientização – a exemplo do “Dezembro Vermelho” – as quais devem se tornar permanentes, ao longo do ano todo, para que a população não seja lembrada de se proteger apenas em ocasiões específicas, como é o caso do Carnaval.

Infelizmente, ainda não houve a erradicação do HIV, pois ainda não foi descoberta uma terapia capaz de barrar o vírus – muito provavelmente, por conta dos interesses da indústria farmacêutica, a qual lucra bilhões com os fármacos destinados ao tratamento da AIDS.

Por enquanto, então, é necessário que os cuidados sejam mantidos, principalmente, com o uso de preservativo. E isso é importante não apenas para evitar a AIDS, mas tantas outras doenças e infecções sexualmente transmissíveis, que podem causar inúmeros danos à saúde, para a vida toda.

E esses cuidados devem ser reforçados, especialmente, pelos jovens – que são “peritos” em adotar comportamentos de risco e não pensar nas consequências que os seus atos podem trazer ao seu futuro.



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