Blog do Sarico

Homenagem à uma “figurassa”


Nesta sexta-feira (17), uma pessoa muito importante na minha vida, além de uma grande amiga e conselheira, Dona Tecla, minha mãe, estaria completando 90 anos.

Eu acho que ela partiu muito cedo e poderia ainda estar ao nosso lado, nos contagiando com a sua alegria e o seu alto-astral. Hoje, com certeza, seria um dia de muita festa, já que ela gostava muito de um “agito”.

A Tecla ficou conhecida em Tapera por ter vendido produtos da Avon por quase 50 anos. Ela fazia suas vendas a domicílio, indo nas casas de suas amigas e clientes. No começo, ela se deslocava a pé. Tempos depois, passou a contar com a ajuda de uma bicicleta cor de rosa, com um cestinho na frente, para ajudar a agilizar as entregas, até adquirir uma moto – meio de locomoção que lhe acompanhou até os últimos tempos de sua “carreira” de revendedora.

A “Tia Tecla”, como era popularmente conhecida, chamava atenção por onde passava, com sua motinho, andando devagarzinho, no seu “tranco”, sendo sempre muito respeitada no trânsito taperense, pois os motoristas, ao avistá-la, reduziam a velocidade para não assustá-la ou não atrapalhar a sua pilotagem. As buzinadas que ela recebia eram cumprimentos do pessoal, pois ela era uma pessoa muito bem quista pelos taperenses, tendo em vista o seu jeito dinâmico, extrovertido – e, por vezes, um pouco atrapalhado.

Contabilizando todo o tempo do exercício de sua profissão, é possível afirmar que a Tecla revendeu Avon para três gerações de famílias taperenses. Ainda hoje, muitas mulheres chegam até mim e se recordam da Tia Tecla, de sua moto e dos “batonzinhos” que ela distribuía para as meninas (eram batons em miniatura, que serviam como amostra das cores, para serem testados pelas clientes). Muitas das gurias que eram presenteadas com esses brindes hoje já são mães e, até mesmo, avós – uma prova de que o tempo passa, mas as boas lembranças sempre permanecem.

Além disso, entre anos 80 e 90, a Tecla também era conhecida por se fantasiar de Papai Noel e sair pela cidade, com sua bicicleta, na semana que antecedia o Natal, para distribuir balas para a criançada – que corria atrás dela, fazendo uma baita algazarra. E, nessa ocasião, o “Papai Noel” também recolhia as chupetas e as mamadeiras das crianças que prometiam entregar esses itens, em troca de presentes. No final da época do Natal, a Tecla chegava em casa com um saco abarrotado de objetos recolhidos – o que comprova o sucesso de sua façanha natalina, naquele período.

E, após a intensa programação, na véspera do Natal – que era a sua data favorita – ela ainda tinha ânimo e disposição para preparar toda a ceia, porque uma de suas satisfações era cozinhar e ser anfitriã. E, ainda, ela fazia questão de reunir a família ao redor do pinheirinho e, novamente, se vestir de Papai Noel, para entregar os presentes, para fazer a alegria dos netos.

A Tecla era uma mulher simples e humilde, mas muito batalhadora e inspiradora. Estava sempre de bem com a vida, gostava de estar maquiada e perfumada – o que não podia ser diferente. Ela também tinha paixão pelas suas plantas e pelo seu pomar; gostava de tomar chimarrão em frente à sua casa, recebendo os cumprimentos e acenos felizes de quem passava pela rua; e era muito devota de Nossa Senhora Aparecida, tendo organizado, durante muitos anos, excursões de romeiros, ao Santuário, em São Paulo.

Tudo isso é um breve relato da imensidão que foi a Tecla. Com certeza, ela fez a diferença e deixou um bonito legado em Tapera, principalmente, em termos de empoderamento feminino, elevando a autoestima das mulheres, por meio da revenda de seus cosméticos.

E ela, que durante anos recebeu o título de “Estrela Avon” – pelas metas de vendas atingidas – hoje, é uma estrela que brilha no céu, desde o dia 28 de março de 2013, quando nos deixou, aos 82 anos, deixando muita saudade e lembranças inesquecíveis de sua passagem por esse mundo.



Comentários

Responder Anônimo (1631895442809-706079) Cancelar resposta


*