Blog do Sarico

Pela hora da morte


As eleições presidenciais do ano que vem, além da pandemia, também serão influenciadas pela economia, tendo em vista o aumento generalizado dos preços dos bens de consumo, especialmente os alimentos. Aliás, tudo aumentou. Inclusive a inflação.

Quem vai ao mercado com muito dinheiro não sente essa alta dos preços dos produtos, porque não precisa fazer contas, nem optar por o que levar para casa. Mas, essa não é a realidade de quem vive com o dinheiro contado, tendo condições para levar, para sua família, apenas o básico do básico.

Dia desses, num supermercado aqui em Tapera, na fila do caixa, à minha frente, estava uma mulher com um carrinho pequeno, aguardando para ser atendida. E, na fila ao lado, à nossa direita, estava outra mulher com um carrinho grande, lotado de produtos. E eu percebi que a mulher da minha frente não tirava os olhos daquele carrinho abarrotado. Certamente, estava pensando na diferença abissal que existia entre elas, economicamente falando.

A mulher que estava à minha frente tinha o básico para a alimentação, limpeza e higiene. E a outra, boa parte do que levava, era supérfluo, eram itens “complementares” em relação aos produtos “essenciais”.

Já no caixa, a mulher que estava à minha frente, ao receber o total a que teria de pagar, olhou para mim e se queixou para a atendente dos preços dos produtos, e, no seu rosto, era visível a expressão de decepção, resultado de uma dura batalha diária pela sobrevivência.

Não adianta o governo e os economistas tentarem explicar o aumento das coisas para as pessoas, porque ninguém está interessado em saber se o dólar está alto ou entender todas as outras inúmeras variáveis econômicas que influenciam nos preços. Todo mundo quer saber é se vai ter condições de colocar comida na mesa de sua família, o mês inteiro.

E, nós, que apostamos em mudanças, estamos tendo estas mudanças? Não adianta falarem que a roubalheira acabou, se a economia não está a favor da população e o povo está tendo de fazer malabarismos, durante o mês, com o seu dinheiro e, principalmente, para comprar comida, cujo preço está pela hora da morte.



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