Blog do Sarico

Deu folia no vilarejo


Um amigo e leitor me enviou cópia da página de um jornal de Santa Maria (RS), datado de 24 de novembro de 1942, há 79 anos, trazendo um texto assinado pelo bispo, Dom Antônio Reis, e pelo chanceler do bispado, monsenhor Paschoal Gomes Llibrelotto, falando sobre um possível atentado contra um padre aqui em Tapera, e o enfrentamento do mesmo com algumas pessoas da comunidade. Tal fato teria acontecido em 08 de novembro daquele ano.

Conforme o texto, houve um enfrentamento entre o padre Clemente Aloísio Kampmann e alguns membros da comunidade e que teria resultado na tentativa contra a vida do pároco, vindo da Alemanha, em 1938, e que ficou no município até 1943, quando foi transferido, oficialmente. Extraoficialmente, ele teria fugido da cidade levando consigo uma mulher de 30 anos, que para alguns seria sua cozinheira e para outros sua amante.

Conversei com algumas pessoas mais antigas daqui e também com taperenses que residem fora do município, para saber sobre o caso, e consegui levantar a história que, como em tudo, tem duas versões.

Segundo o texto ainda, o bispo, que protege o sacerdote, mandou fechar a Igreja Matriz e as capelas do interior, deixando aberto apenas a Escola Imaculada (das freiras), o Hospital Roque Gonzalez e a capela da Barra do Colorado. O Santíssimo foi levado para o hospital. Ainda, pediu ao padre Nicolau Fridolino Schuster que passasse a atender os fiéis no hospital, e determinou a compra de um livro para que quem quisesse permanecer ligado à Igreja Católica, deveria assiná-lo, lá no hospital. Depois, dependendo do número de assinaturas, determinaria a reabertura ou não da igreja e o retorno das missas.

Ainda, o bispo pede aos fiéis muita oração e jejum e comenta que a coisa toda seria fruto da intervenção do Demônio.

Pelo que me disseram, não queriam matar o padre, mas se livrar dele devido às suas ações e manifestações, que desagradavam parte da comunidade, tendo inclusive dividido famílias, umas 50 na época. Uma senhora me contou que o padre era contra os bailes por ser “coisa do Diabo”. Na verdade, segundo ela, o pároco não admitia faltas nas missas de domingo. Os rapazes não obedeciam aos pais e iam nos bailes, mas as moças cumpriam a determinação rigorosamente, e por isso os bailes no Salão Junges, atual Clube Aliança, tinham poucas moças. Pelo menos durante a estada do padre na vila, então 3º distrito de Carazinho.

Fico imaginando o clima que tínhamos no lugarejo, pois havia dois grupos distintos nela: um liderado pelo padre e o outro por um médico. O bom é que quando o padre partiu as coisas voltaram ao normal aqui.

A divisão que se deu em Tapera e que ganhou corpo após a emancipação, deve ter começado nesta questão do padre. Tudo leva a crer nisso.

Em anexo seguem cópia da publicação do jornal (no alto) e a cópia fiel para melhor leitura (abaixo).



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