Blog do Sarico

Personalidades


Personalidades 1No último dia 19, o mais ilustre morador do Lar do Idoso de Tapera, o Cotê, esteve aniversariando, completando 106 anos.

Conheço o Manoel Ortiz dos Santos ou o Cotê desde sempre, há mais de meio século. Não lembro quando o vi pela primeira vez, mas faz muito tempo. Ele foi uma pessoa que perambulava pela cidade, sendo ajudado por todos. Seu paradouro era o Café Diana, do saudoso Arno Presser, de quem era protegido. A sua morada era no antigo Setor de Obras da antiga Prefeitura, onde hoje está sendo construída a Casa de Cultura. Lá atrás havia um casebre onde ele passava as noites. Algumas vezes ao ano o pessoal se reunia para lhe dar banho, uma tarefa que não era nada fácil assim como vesti-lo depois. Molhado o pequeno virava no capeta, mas depois de vestido, ficava nojento e esnobe.

Com o passar dos anos, o Cotê foi sofrendo com a idade e sua vida começou a ficar difícil. Em 11/01/1999 ele foi transferido para o Lar do Idoso, onde permanece até hoje.

Sei de muitas histórias do Cotê, mas vou deixá-las para outra oportunidade.

ERNESTO – Outra figura que morou no Lar do Idoso de Tapera e que faleceu no último dia 20 de junho, foi o Ernesto Morais, que também terá uma página na história de Tapera.

Eu me criei vendo o Ernesto trabalhando lá em casa. Ele cortava grama e lenha para a nossa mãe e ainda limpava o terreno. Vinha cedo e ficava para o almoço. Dona Tecla lhe servia dois pratos (fundos) bem cheios de comida, uma bacia de salada e metade de um pão caseiro. Depois de comer ele queria “patinho” (gibi) para ler. Na verdade, ele não sabia ler, mas dava muitas gargalhadas com os desenhos na revista, sentado embaixo de uma árvore. Nunca entendi do que ele ria. Os desenhos o fascinavam. Quando terminava ele ia embora e na entrada da noite voltava para receber e não queria saber de uma única nota. Ele queria várias notas: “Mais dinheiro. Mais dinheiro”, dizia. Antes de ir para casa, passava no mercado do Bruno para fazer compras.

Pela manhã, no forte do inverno, quando ia para a aula, encontrava o Ernesto na Avenida Dionísio, vindo da então Vila Brasília, indo trabalhar pela cidade, em várias casas. Uma geada desgraçada estava no chão e o homem, sempre apressado e com as mãos para trás, caminhava descalço. O pessoal dava calçados para ele, mas ele não os usava. Nossa mãe deu muitos a ele mas ele não usava. Coisa de louco aquilo.

O Cotê e o Ernesto são duas figuras que certamente estão nas páginas da história de Tapera.



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