É difícil a polícia identificar grupos que não estão integrados com os manifestantes? É só olhar quem está com o rosto escondido, sem cartaz ou bandeira nas mãos e portando algo que possa danificar ou machucar. É pegar e retirar de cena. É difícil?
A presidente Dilma disse que não tem (e não haverá) dinheiro público para as obras da Copa do Mundo do ano que vem. Será que não tem (e haverá), mesmo?
A Copa do Mundo no Brasil consumirá U$ 30 bilhões. Isso é mais do que foi gasto na realização das três últimas Copas. E será que o Brasil teria dinheiro para isso?
Se tem dinheiro para isso é porque teria para aplicar em coisas que o brasileiro tanto anseia: saúde, educação, segurança, entre outros.
Agora, dizer que a Copa do Mundo vai melhorar a vida dos brasileiros é menosprezar a sua inteligência, pois o que foi feito com o dinheiro dos impostos pagos nestes anos todos?
Esta mobilização que mexeu com o Brasil começou nas redes sociais. Os governos que fiquem atentos a elas a partir de agora, pois em um minuto se mobiliza todo um povo. Viu-se isso neste furacão que varreu o País de norte a sul e que colocou o Brasil no noticiário internacional. Agora, a juventude, que vive a internet quase que as 24 horas do dia, demorou a utilizá-la. Não devia ter ideia do seu tamanho e força. Agora tem.
No dia 17 de dezembro de 2012, em pleno turbilhão do mensalão e da corrupção no Brasil, escrevi aqui sobre os caras pintadas, pedindo onde eles estavam naquele momento que o Brasil tanto precisava de mudanças. Naquela data eu escrevi: DESAPARECIDOS – “Cadê os caras pintadas? Em 1992, eles tomaram as ruas por um Fiat Elba. E hoje, não está acontecendo nada neste País?”.
Pois, pelo visto nos últimos dias, os caras pintadas voltaram. E voltaram sem partidos e sem políticos, clamando pelo bem do Brasil e de sua gente. Foi emocionante isso.
O governo federal tem maioria absoluta no Congresso Nacional. Se quisesse, poderia fazer as reformas de que o País tanto necessita. Inclusive mudar as leis. Mas, só se quisesse. E, claro, se os políticos estivessem a fim de perder todas suas regalias.
O ministro Gilberto Carvalho, após reunião de governo, deu entrevista dizendo que não entende as razões das manifestações de protesto desta semana. O Jô Soares, mais tarde, em seu programa, se encarregou de explicar centavo por centavo, as razões do “surto” da galera. Será que agora perceberão?
JÔ Explica:
Pra quem não entendeu ainda: os vinte centavos, um por um:
00,01 – a corrupção
00,02 – a impunidade
00,03 – a violência urbana
00,04 – a ameaça da volta da inflação
00,05 – a quantidade de impostos que pagamos sem ter nada em troca
00,06 – o baixo salário dos professores e médicos do estado
00,07 – o alto salário dos políticos
00,08 – a falta de uma oposição ao governo
00,09 – a falta de vergonha na cara dos governantes
00,10 – as nossas escolas e a falta de educação
00,11 – os nossos hospitais e a falta de um sistema de saúde digno
00,12 – as nossas estradas e a ineficiência do transporte público
00,13 – a prática da troca de votos por cargos públicos nos centros de poder que causa distorções
00,14 – a troca de votos da população menos esclarecida por pequenas melhorias públicas (pagas com dinheiro público) que coloca sempre os mesmos nomes no poder
00,15 – políticos condenados pela justiça ainda na ativa
00,16 – os mensaleiros terem sido julgados, condenados e ainda estarem livres
00,17 – partidos que parecem quadrilhas
00,18 – o preço dos estádios para a copa do mundo, o superfaturamento e a má qualidade das obras públicas
00,19 – a mídia tendenciosa e vendida
00,20 – a percepção que não somos representados pelos nossos governantes
“Se precisarem tenho outros vinte centavos aqui, é só pedir”, disse Jô.
A recente onda de manifestações que varre o Brasil de norte a sul surpreendeu muitas pessoas, que assistiram atônitas à forma como um movimento que começou pequeno, contra o aumento da tarifa de transporte público, agora abraça outras causas e conseguiu mobilizar mais de um milhão de pessoas em 100 cidades no dia 20 de junho de 2013. Apesar de surpreender, as manifestações brasileiras seguem tendências que vem se repetindo em outros países.
Para investigar de que forma os atuais protestos se parecem com os ocorridos no exterior nos últimos cinco anos, a BBC Brasil ouviu jornalistas que trabalham no Serviço Mundial da BBC.
Eles falaram sobre as mobilizações que sacudiram cada um de seus países – o Irã, em 2009, o Egito, em 2011, a Espanha, também em 2011, e a Turquia, nas últimas semanas.
Apesar de terem motivações diferentes, esses protestos têm em comum o fato de terem sido organizados e promovidos nas mídias sociais, como as manifestações no Brasil. Além disso, há outras semelhanças: na Turquia, por exemplo, os protestos também não têm uma liderança clara, enquanto que, na Espanha, os líderes das manifestações não tinham clara vinculação partidária.