A história da luz em Tapera
A história de Tapera iniciou em 1897, com a chegada dos primeiros colonizadores italianos e alemães ao município. Os imigrantes, quando chegavam a um lugar, escolhiam habitar próximo da água, assim, no caso de Tapera, eles escolheram a Barra do Colorado, bem no encontro dos rios Jacuí e Colorado.
É importante lembrar que nesta época Tapera era distrito de Passo Fundo. Em 1931, passou a pertencer a Carazinho, até se emancipar, em 1954.
Tapera, quando pertencia a Carazinho, conheceu a iluminação que não por lampião ou vela, nos anos 1930.
E tudo começou em 1932, com Ângelo Beux, que instalou uma usina no vilarejo composta por três motores a gás pobre, sendo dois Ford e um Chevrolet, com potência de 100 HP. Ele fornecia luz às casas das 19h às 22h30. Após este horário a iluminação ficava por conta de cada morador que se socorria com o lampião ou vela.
Beux forneceu luz ao vilarejo de 1932 até 1939, quando faleceu.
No dia 06 de setembro de 1939, um dos motores de Beux pegou fogo enquanto ele o revisava na oficina do Kreling, que ficava ali onde está hoje o Bimba Bazar e, para apagar a chama, pegou o primeiro vasilhame que viu à sua frente e jogou o líquido que havia nele sobre ela. Mas, ao invés de água, era gasolina. O Ângelo sofreu graves queimaduras pelo corpo todo vindo a falecer três dias depois. O seu corpo está sepultado no Cemitério Católico de Tapera. Os dois homens que estavam com ele no momento tiveram queimaduras leves.
Com a morte de Ângelo Beux, quem assumiu o fornecimento de luz no povoado foi José Paulino Simon, pai do ex-prefeito Isidoro, do advogado Roque e da professora Kati, com uma caldeira a vapor de 50 HP, murada, que mais tarde explodiu e o serviço foi encerrado. Simon forneceu energia a vila de 1939 a 1941.
Paulino Simon tinha a sua “usina” ali onde era o matador do Albano Seibel, tendo vendido o seu açougue a ele. Ele foi o primeiro a ter energia na sua propriedade através de roda d’água.
E nesta história do Paulino tem uma curiosidade que eu sempre quis saber: por que o “Monte”, que não é um monte e que ficava atras do matador, havia sido construído. Neste “Monte” que falo muita gente tomou banho nas suas águas, inclusive eu. Pois, ele queria fazer uma espécie de barragem para tocar a sua usina de força e assim aumentar a energia produzida para sí e o vilarejo, porém, ao que parece, uma ordem vinda de Carazinho, município-mãe, a obra não pode ser concluída e assim ficou aquele “vale” no local, por onde corre o arroio Matadouro.
De 1941 a 1954, a empresa Mombelli & Cia, fundada em Tapera, em 1927, passou a responder pelo serviço de iluminação da vila com uma locomóvel Lanz, de 220 HP. Mais tarde, com um motor Cartepillar, de 140 HP.
De 1954 a 1961, a luz ficou a cargo da Prefeitura de Carazinho oriunda de uma usina hidrelétrica. Algumas pessoas me disseram que a luz que vinha de lá era da usina de um tal de Annoni, não sabendo a sua localização. Já outros, que ela vinha da usina aqui da Linha São Pedro, da Eletrocar, construída nos anos 1950. Mas, segundo um morador da região, essa usina nunca forneceu luz para Tapera, assim a luz vinha mesmo de Carazinho.
No dia 13 de fevereiro de 1960, a CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica) começou a responder pela luz na cidade, já emancipada.
A CEEE enviou a Tapera uma equipe para colocar os postes e os fios. O grupo ficou acampado em barracas naquele terreno situado acima da Rima Informática, na Avenida XV de Novembro, local do primeiro cemitério do vilarejo e da cidade. Alguns daquele grupo ficaram por aqui e aqui constituíram família. Dois deles eu conheci bem: o João Carlos da Rosa, que casou com a Isolde Pastório, e o Valdemar Lopes, que casou com a Íris Püttow, pais do Charles (Cantina), da Kelly e do Maicol.
E em 2006, a RGE assumiu o serviço permanecendo a frente do fornecimento até os dias atuais.
Segundo os mais antigos, a luz nos primeiros anos oscilava muito no vilarejo. Melhorou um pouco com a vinda de Carazinho e significativamente com a chegada da CEEE.
Esse regaste da história da luz em Tapera foi possível graças a um recorte de jornal, provavelmente de Carazinho, sem nome e data, que o Miguel Beux, neto do Ângelo Beux, me enviou lá de Cascavel (PR). O recorte relata o acidente que vitimou o avô dele, em 1939, e a história da luz na então vila. Também, pelo relato de alguns taperenses que testemunharam tudo isso e que continuam por aí como o Roque Simon e o Lothari Junges, este um arquivo vivo da história de Tapera.
Quem movimentou a terra do “Monte”, com carrinho de mão, foi o Nono José Baggio.