Blog do Sarico

Taperense empresta seu nome ao Autódromo Internacional de Cascavel (PR)


Tendo parentes na cidade paranaense de Cascavel, conheço lá o Estádio Olímpico Regional e o Autódromo Internacional. E, acompanhando o noticiário e corridas pela tevê e internet, seguidamente lia e ouvia o nome Autódromo Internacional Zilmar Beux de Cascavel, um dos grandes circuitos brasileiros fora de uma capital e reconhecido internacionalmente. Mas, nunca imaginei que aquele nome teria ligação com a cidade de Tapera, aqui no Rio Grande do Sul.

Pois, conversando com o Nadir Natal Crestani, taperense que hoje reside em Porto Alegre e que seguidamente me auxilia com informações sobre o nosso município, ele me contou que o Zilmar nasceu em Tapera, quando esta era distrito de Carazinho, e que inclusive conheceu a família dele.

Os irmãos Ângelo e Estevão Beux residiram aqui no então distrito nos anos de 1930 a 1950. O Ângelo, inclusive, pai do Zilmar, instalou o primeiro cinema da vila e também a luz. Essas duas histórias eu contarei numa outra oportunidade.

Em 1957, o mecânico Zilmar, mais a esposa Olinda e os filhos Eliane, Elizete e Marcos, se muda para Cascavel, numa época em que grande número de gaúchos migrou para aquele Estado em busca de novas oportunidades.

Já em Cascavel, município emancipado no mesmo ano que Tapera (1954), nos anos 1964, Zilmar e um grupo de aficionados por corridas tendo levado do Rio Grande do Sul a paixão pelo esporte, começaram a correr com seus Jepp, DKW, Gordini e Fusca pelas ruas empoeiradas da cidade, num percurso de 2,7 km. Pois, a coisa foi crescendo com o aumento de corredores e por uma questão de segurança para pilotos e espectadores, o pessoal decidiu adquirir uma área de 40 alqueires para construir uma pista de corridas lá, longe da cidade.

Em 1972, o grupo, tendo à frente Zilmar e mais algumas pessoas, criou uma empresa: a Autódromo Cascavel SA Empreendimentos Esportivos para arrecadar recursos para construir a pista, asfaltá-la e fazer as melhorias necessárias para se correr. Zilmar, que deu a ideia da pista, projetou o traçado e o asfaltou, ainda botou dinheiro seu no projeto e fez mudanças nele, foi eleito seu presidente.

Em 1973, no dia 22 de abril, foi inaugurado o autódromo de Cascavel, o quinto do Brasil e o único no interior, com 3.032 metros de pista. Naquele ano ainda começaram a corridas de várias categorias.

Também naquele ano, antes da inauguração, o jornal A Gazeta do Povo, de Curitiba, um dos mais importantes do Paraná, noticiou o fato creditando tudo ao então prefeito e também piloto, sem citar o nome de Zilmar. Ali começava a política entrando no jogo, na verdade na corrida, e dividindo os apaixonados pela velocidade. Os jornais de fora de Cascavel diziam uma coisa e a imprensa local, sabedora da verdade, dizia outra citando Zilmar Beux como o “pai” do autódromo.

Em 1974, decepcionado com a entrada da política na questão e a traição de alguns “amigos”, Zilmar abandona a SA e desmancha o seu Simca Chambord. E deixa Cascavel para se estabelecer no Mato Grosso com oficina e fazenda de gado.

No dia 20 de novembro de 1975 a Prefeitura desapropria o autódromo, mas no ano seguinte o novo prefeito revoga o decreto de seu antecessor.

Em 2003, Zilmar foi diagnosticado com leucemia vindo a falecer em 26 de outubro de 2005, aos 75 anos.

Em 2008, 35 anos após a sua inauguração, o autódromo recebeu o nome de Autódromo Internacional Zilmar Beux, em homenagem (merecida) a quem sempre esteve à frente de tudo, às vezes deixando o seu negócio de lado e ainda colocou dinheiro seu no projeto, desde a compra da área até a conclusão da obra.

Em 2011, após muitas idas e vindas, por conta da “paternidade” do autódromo, a SA doou-o à Prefeitura de Cascavel que o administra até hoje.

Hoje, o autódromo de Cascavel recebe grandes competições nacionais, como a Stock Car, a Fórmula Truck, entre outras.

Zilmar Antônio Beux, que nasceu em 04 de junho de 1930, é mais um taperense que saiu de Tapera para fazer bonito longe da sua terra.

Agradeço imensamente a colaboração do empresário e piloto Miguel Beux, filho do Zilmar, que me enviou farto material para que eu pudesse contar a bela história do seu pai e do nosso ilustre conterrâneo, um ícone do automobilismo brasileiro.



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