Blog do Sarico

Boato em Tapera


Nesta semana, um noticiarista de plantão postou numa rede social um suposto caso de zoofilia – que é a pratica de sexo com animais – que teria sido praticado por um homem daqui de Tapera. E aí foi aquela corrida para replicar a notícia na internet.

Até a Assistência Social foi colocada no caso e, mais tarde, a Polícia Civil teve de intervir, para esclarecer que a ocorrência não era verídica e que um médico veterinário havia examinado o animal em questão e constatado uma possível doença nele, sem ter havido, portanto, qualquer tipo de mau trato.

Enfim, a situação não procedeu, tendo sido mais um boato, uma desinformação que circulou pela internet. Esse tipo de conteúdo começa com suposições, equívocos, fofocas, até gerar um grande burburinho, um “diz-que-me-disse”. Só que, no momento em que um fato delicado como esse chega até à imprensa, é dever dos profissionais, antes de mais nada, apurar o suposto acontecimento junto às autoridades competentes, para checar a veracidade das informações.

A imprensa não pode errar em um caso como esse, que causa repulsa e revolta social, pois são muitos os fatores envolvidos. Por exemplo: quem irá reparar o dano sofrido pelo homem que teve o seu nome, equivocadamente, atrelado a esse fato?

Portanto, é necessário que a imprensa tenha responsabilidade pelas informações divulgadas, principalmente, na internet. E, também, é necessário que as pessoas, ao se depararem com informações que não foram confirmadas pelas autoridades, através dos meios de comunicação, não repassem esses conteúdos.

Ou seja: a responsabilidade pelas informações divulgadas, em tempos de internet, é da imprensa e, também, da sociedade – principalmente, porque, hoje, já é possível desvendar a autoria de mensagens enganosas, mesmo que tenha sido anônima. Então, todo cuidado é pouco, pois o prazer de divulgar/replicar uma “notícia” sensacionalista/comovente pode se tornar um pesadelo, quando o veículo de comunicação ou a pessoa da comunidade que postou/compartilhou a informação enganosa virar alvo da Justiça.

Eu sei que, para o profissional do jornalismo, dar um furo de reportagem pode ser marcante para sua carreira. Mas, é preciso ter muita cautela nisso, para não errar, pois, acima de tudo, o jornalista lida com a vida das pessoas noticiadas.

Eu, por exemplo, não faço questão de dar uma informação por primeiro, mas sim, de divulga-la em sua completude, com riqueza de detalhes, e, sobretudo, com a devida apuração da veracidade dos fatos. Isso é salutar para o profissional não colocar a sua credibilidade e o seu nome em jogo, pois, no mundo jornalístico, uma linha tênue separa o bom profissional do comum.



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