Morreu o homem da máquina de escrever
Nesta semana, recebi com pesar a notícia da morte de José Renato Erpen, o “Papi”, um cara que foi meu amigo ao longo dos anos.
Conheci o Papi nos anos 70, trabalhando no Unibanco, onde hoje está a Sicredi Tapera. E naquele tempo ele já “desmanchava” uma máquina de escrever pela rapidez com que teclava. Não conheci ninguém que datilografou mais rápido do que ele. Quando entrava no banco eu ficava olhando ele escrever em uma Remington de cor verde.
Depois do banco ele foi para o Fórum, onde trabalhou até se aposentar. E lá ele continuou “voando” nas teclas de sua nova máquina. Lembro que ouvi dois juízes da Comarca elogiando-o pela rapidez com que batia uma lauda. Não sei se ele escrevia, mas o que ele teclava o fazia rápido e raramente errava.
O Papi era diferenciado. Ele conseguia escrever com uma mão, com os cinco dedos, olhar o texto escrito sobre a mesa, tomar cafezinho com a outra mão e ainda podia conversar com alguém, tal sua concentração. Quero ver alguém fazer isso.
Em 1975, “incentivado” por ele, comecei o curso de datilografia na Escola Nossa Senhora Imaculada, das freiras. Após formado, batia com os 10 dedos. Depois com quatro, sendo dois de cada mão, e hoje dedilho com dois, um de cada uma. Sou relativamente rápido, mas não como o Papi.
Lembro ainda do Cotê, que ainda está aí, que o imitava. Ele, daquele seu jeito, imitava o Papi escrevendo, tomando cafezinho e conversando com alguém, e não esquecia da pausa para empurrar a alavanca do novo espaço, algo que é feito hoje com um simples toque na tecla do computador.
O América, que jogou no sábado com o BGF, no Poli, prestou uma homenagem a ele com um minuto de silêncio antes do jogo.
O Papi morreu vitimado por um infarto e foi sepultado ontem à tarde em Tapera (RS).
Foi uma grande pessoa, simples e um bom amigo. Que descanse em paz na companhia do Senhor.
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