Tapera nos anos 70
Essa foto mostra a recém emancipada Tapera, no final dos anos 60 e início dos 70. E chama atenção o pequeno número de casas que havia nela e os “clarões” espalhados pela cidade.
No alto, à esquerda aparece o antigo Ginásio Taperense, atual Escola Dionísio Lothário Chassot, tendo eu estudado nos dois.
E à direita, é possível ver o Colégio Imaculada “velho”, a escola das freiras, de madeira, e o novo, à sua frente. Estudei na parte nova. Inclusive, no velho, havia um jardim ou canteiro na entrada dele, em uma sala à frente havia um grande piano e bem à esquerda tinha uma outra sala onde participávamos da catequese. E dela me lembro de duas coisas: o filme “Marcelino, Pão e Vinho”, a música “Pão e Vinho” e uns painéis com imagens do Oriente Médio da época de Jesus.
Bem a direita tem uma casa solitária e afastada da cidade. Era a residência dos Batistella.
Na frente da Escola, há uma grande área descampada, onde havia o segundo cemitério da cidade. Dali ele foi para seu atual endereço, na saída para São Luiz. O primeiro cemitério ficava acima da Rima Informática, na Avenida XV de Novembro.
Nesse terreno lembro de duas coisas. Uma foi depois que tiraram as sepulturas do lugar alguns mausoléus ficaram abertos e, numa tarde quente, jogando bola ali com alguns amigos, esta caiu num desses mausoléus. Não sei quem desceu lá para pegá-la. Eu sei que eu não fui e não fiquei lá para saber quem a pegou. A outra, foi uma manifestação na cidade, acho que pela agricultura em uma manhã de domingo, e aquela área ficou tomada por tratores, caminhões e colheitadeiras que desfilaram pela avenida, com o pessoal indo almoçar no Tenarião, em fase final de construção.
Aliás, naquela área havia apenas a residência da família Utzig, onde hoje tem o edifício Dona Maria.
Na foto pode-se ver ainda o Tenarião, a Igreja Matriz, a Casa Canônica (residência do padre), a casa das freiras do Hospital Roque Gonzalez e o próprio.
À esquerda ficava o silo do Osvaldo Henrich, onde começou a comercialização da soja em Tapera e região. Nele, entulhado de grãos dourados que vinham em caminhões pequenos e carroções, nós passávamos a tarde brincando e a nossa alegria maior era quando conseguíamos subir nos dois montes que se formavam lado a lado e tocar na armação de madeira do teto. O seu Osvaldo não se importava e deixava a gente brincar lá.
E bem abaixo, a praça central com seus ciprestes e calçadas bem desenhadas, cobertas com pedras portuguesas, tipo tabuleiro de xadrez.
Na praça ainda, é possível ver a caixa d’água e o poço ambos da Corsan e o parquinho que ficava em diagonal com o hoje Sekus Bar.
Mais à esquerda, ficava o estúdio do Adão Pesenti, um dos maiores fotógrafos que eu conheci. O cara era um gênio para fazer uma foto, encontrar o ângulo e a iluminação perfeitos e revelar uma foto como poucos. E ele fazia mágica na revelação sem ter computador. Hoje, ali fica a redação do JEAcontece, do qual sou seu diretor-editor.
À frente, na esquina, onde hoje estão a Infotech e a Infosoft, ficava o escritório da Corsan.
Hoje, das partes altas da cidade, de qualquer ponto dela, é possível ver a transformação que a cidade sofreu com o passar dos anos, 67 para falar a verdade, completados no próximo dia 28.
Acho muito legais estes teus resgates históricos, Sarico.