Blog do Sarico

É Páscoa. Viva!


É Páscoa. Viva! 1A Páscoa está aí e lembrei de quando a nossa mãe, no clarear do dia, escondia o meu “ninho” cheio de chocolates e doces diversos para que mais tarde quando acordasse fosse procurá-lo. Aquilo era uma festa.

Não lembro da Páscoa dos meus irmãos, por serem mais velhos do que eu. Mas, lembro dos muitos ninhos, cestos de vime trançado forrados com tiras de papel, que ganhei ao longo da vida, grandes e pequenos.

Lembro também dos ninhos cheios de ovos grande, médios e pequenos e de coelhinhos de chocolates, tudo maciço. Um coelho ou um ovo grande demorava umas três semanas para comer tudo. Aliás, o ninho inteiro, demorava uns dois meses para dar cabo dele. Hoje, os chocolates são pequenos, ocos e finos que nem papel e tudo se vai em menos de uma semana. Tem a vantagem dos presentes surpresas dentro deles, mas nada comparado aos recebidos na minha infância. O cara pegava o ninho e ficava admirando-o por um longo tempo, com muita água na boca. Afinal, não havia tanta variedade e facilidade como hoje, apesar dos preços lá nas nuvens.

E tinha ainda nos cestos os ovos de galinha “recheados” com cri-cris, aquele doce de amendoim com chocolate. E a alegria era dupla. Primeiro por comê-los e segundo por quebrar os ovos na cabeça de alguém, e minha vítima favorita era Dona Tecla, nossa mãe, que fazia o maior gritendo, entrando no espírito da brincadeira, coisa bem dela. Que festa era aquilo…

Hoje em dia a Páscoa está muito estranha, pois as pessoas dão presentes diversos no lugar de ovos e coelhinhos e tudo é muito “pálido”, sem cor, sem vida, sem graça, apesar dos chocolates e dos doces. Não tem aquele “charme” de outrora. Nem a tradição mais é seguida. São outros tempos…

O que aprendi e recebi sobre a Páscoa consegui repassar à minha filha e deu certo, mas não sei como será a Páscoa dos filhos dela, com os rumos que essa vida toma e sua velocidade e da mudança de gostos e metas.

E na manhã do domingo de Páscoa, será que ouvirei: “Olha, acho que ouvi barulho lá fora. Será que é o coelhinho?”. Essa era a deixa para eu sair voando para fora catar o meu ninho escondido. Mas, acho que não, afinal nada é para sempre, infelizmente. Uma pena que a vida seja assim tão séria e dura. Sem esquecer daqueles que jamais receberam uma cesta de Páscoa ou um ovo de chocolate que seja.

Uma Feliz Páscoa à você e aos seus.



Comentários

Responder Anônimo (1492392856189-855769) Cancelar resposta


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