Blog do Sarico

Greves gaúchas


Greve 1Toda greve, seja ela por salários ou melhorias nas condições de trabalho, é sempre muito bem vinda. E justa. No caso dos professores gaúchos essa história é bastante antiga e vem desde o início dos anos 80, no governo Amaral de Souza (Arena/PDS). De lá para cá, todo ano aconteceram greves no RS. Depois vieram Jair Soares (PDS), Pedro Simon (PMDB), Sinval Guazzelli (Arena), Alceu Collares (PDT), Antônio Britto (PMDB), Olívio Dutra (PT), Germano Rigotto (PMDB), Yeda Crusius (PSDB), Tarso Genro (PT) e agora José Ivo Sartori (PMDB). Entra governo e sai governo e o Cpers promove uma ou mais greves por ano. Elas devem estar no calendário de eventos do Estado.

Lembro que no governo Pedro Simon (1987-1990) houve uma greve que durou 90 dias. Em 1987. As escolas ficaram fechadas por três meses. Imagine, hoje, em tempos de internet, uma paralisação de aulas de 90 dias.

Antes disso, no começo dos anos 80, o governador Amaral de Souza, eleito por um colégio eleitoral em razão do País viver na ditadura, veio a Tapera para inaugurar o sistema DDD (Discagem Direta à Distância) e DDI (Discagem Direta Internacional) que substituía à antiga Telefônica que utilizava telefonistas para realizar as ligações. O prefeito João Maximiliano Batistella, em seu segundo mandato, soube que os professores taperenses realizariam uma manifestação contra o governo do Estado por melhores salários e preocupou-se com isso, com os “milicos”. E o seu temor concretizou-se. No dia, alguns professores, em silêncio e vestindo preto, participaram da solenidade, de longe. Aquilo foi uma bomba na cidade e no Estado em razão do regime de exceção que vivíamos. Mas, não deu nada. Muitos destes professores ainda estão ai e lembrarão do episódio, o primeiro deste nível na região. E, talvez, no Estado.

O engraçado é que em toda greve os professores se posicionam de três formas: uma parte se coloca ao lado do governo e contra a categoria, outra se coloca contra o governo e a favor da categoria e a terceira parte se coloca a favor da Educação. Com o entra e sai de partidos políticos no Piratini boa parte dos professores gaúchos os acompanha.

Mas, independente de qualquer coisa, a Educação precisa ser valorizada, todos os dias. Desnecessário lembrar que tudo começa por ela e pelo professor. Veja a importância deste profissional para a projeção e a execução do futuro.

Ao longo da minha vida tive muitos professores e de boa parte deles lembro com muito carinho pela sua amizade, conselhos, ensinamentos, exemplos e até castigos. Todos eles me ensinaram um pouco. Até de quem não lembro ensinou-me.

Tomara que não esteja longe o dia em que o professor gaúcho tenha a preocupação única de sair de casa para ir trabalhar, com alegria e tranquilidade, sabendo que sua família está bem e que as contas da casa serão pagas, sem as dores de cabeça ao final de cada mês, e que as escolas estejam como queremos que estejam. Nós todos vamos ver isso.

Uma última coisa. O Cpers cobra do governador que ele não dialoga e não apresenta soluções. Ora, José Ivo Sartori e seu PMDB se elegeram sem um plano de governo que até hoje não foi apresentado a gauchada. Se elegeram em cima de uma frase: “O meu partido é o Rio Grande”. E o restante nós sabemos como está sendo.



Comentários

Comente


*