Blog do Sarico

Tapera perdeu Romeu Claudio Kloeckner


Na madrugada do último domingo (12), em pleno Dia dos Pais, morreu no Hospital Roque Gonzalez de Tapera, o ex-prefeito Romeu Claudio Kloeckner, aos 82 anos. Seu corpo foi velado na Câmara de Vereadores, local bastante conhecido por ele, e sepultado no dia seguinte em Tapera.

Romeu Kloeckner deixa um legado importante para ser lembrado. Além de prefeito, presidiu a Cotrisoja, foi por três vezes vereador e ainda foi um dos fundadores da Credisoja, atual Sicredi, em 1981. Poucos taperenses chegaram tão alto ao deixar algo concreto e a escrever seu nome na história. Romeu foi um deles.

Ligado ao PTB, Romeu Kloeckner administrou Tapera na terceira administração municipal (01.01.1964 a 31.12.1968), na única vez em que um partido repetiu um mandato em sua história de 57 anos.

De 20 de abril de 1982 a 22 de março de 1992 ele presidiu a Cotrisoja e, por isso, era conhecido no meio agrícola gaúcho, hoje chamado de agronegócio.

Romeu foi ainda vereador por três legislaturas. Fez parte da 1ª (28.02.1955 a 31.12; 1955), pelo PTB; da 3ª (01.01.1960 a 31.12.1963), também pelo PTB; e da 9ª (01.01.1989 a 31.12.1992), pelo PMDB.

Eu conhecia o Romeu há muitos anos, mas comecei a ter contato com ele quando presidia a Cotrisoja, e eu era vendedor e repórter da então Rádio Gazeta. Não esqueço do estresse enfrentado cada vez que tinha de renovar o contrato da Cooperativa ou tentar vender algum evento para ela. Cada encontro era uma epopeia, devido à sua postura, principalmente que naquela época a política no município tinha outra visão e dois lados muito bem definidos. O homem tomava suas decisões e dificilmente voltava atrás. Mas, com jeitinho e tempo, peguei a manha dele e, entre vitórias e derrotas, consegui obter o seu respeito, afinal eu era um guri com pouco mais de 20 anos, iniciando na imprensa.

Depois disso, o Romeu saiu da Cotrisoja e eu continuei na Gazeta.

Voltei a encontrá-lo na Câmara de Vereadores. Ele como vereador e eu encarregado de cobrir as sessões para a Gazeta. O prefeito era Ireneu Orth, cumprindo seu segundo mandato, e ele era o líder da oposição, ao lado de José Guarnieri e Natalino Frighetto, todos do PMDB, então maior adversário do PDS, o outro lado. PMDB e PDT tinham a maioria na casa e seus vereadores faziam muito barulho. O nome do Ginásio Poliesportivo tem origem naquela legislatura, mas isso eu conto em outra oportunidade. Havia na Câmara ainda os pedetistas Renato Cassol e Ivanor Paseti. A situação, com a minoria na casa, tinha Décio Wagner, Edio Schrader, José Nelson Balensiefer e Nestor Arneman, todos do PDS, sendo que os dois últimos anos depois se tornaram prefeitos de Tapera. E Edio Schrader foi ser prefeito de Lagoa dos Três Cantos (duas vezes). Quem ouviu um discurso do Romeu Kloeckner, na tribuna ou fora dela, jamais esquecerá. Ele era carregado de paixão e ironia. Sabia como poucos como minar um adversário e deixá-lo de saia justa. Seus questionamentos eram temidos. Eu mesmo testemunhei isso uma dúzia de vezes.

Um dia, durante uma campanha política municipal, cruzei com o Romeu na entrada de um “cachorrão” no centro da cidade. Eu havia comido alguma coisa, pois vinha de uma reunião de uma entidade local, e ele, com seu pessoal, vinha de visitas no interior do município. O grupo entrou e o Romeu, quando viu que eu ia saindo, me esperou na porta e segurou-me pelo braço e me disse três coisas. Uma delas, eu não levei em conta porque sabia que era gozação, mas as outras duas carrego até hoje e serviram para me moldar como profissional e pessoa.

Tapera perdeu mais uma de suas grandes figuras. É mais uma parte de sua história que se vai, mas que fica registrada para a eternidade.

O prefeito Ireneu Orth decretou luto oficial no município por três dias e durante este período as bandeiras ficarão a meio pau em frente ao Centro Administrativo em memória a um dos oito homens que conduziu os destinos do município.



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