Com isso que está acontecendo aqui no Rio Grande do Sul e a seca jamais vista assolando o Norte brasileiro, alguém ainda dúvida de que o planeta está em transformação? E essa não iniciou sozinha. Ela foi e está sendo provocada.
O efeito estufa, fenômeno que aprisiona parte do calor do sol na atmosfera aumentando a temperatura na Terra e provocando mudanças no clima no planeta todo, é resultado de vários fatores provocados pelo homem, sendo os principais o desmatamento, o garimpo e, principalmente, os gases emitidos diariamente para o céu de veículos, jatos comerciais e indústrias.
No caso das florestas, sem elas, não existe água e, por consequência, não haveria vida na Terra. Esses deslizamentos são o resultado de desmatamento e povoamento em áreas irregulares que tornam o solo instável.
Vai chegar o dia em que o homem terá de optar entre aumentar a sua conta bancária ou sobreviver, pois a sua conta bancária não lhe servirá para nada.
“Tentar adquirir experiência apenas com teoria é como tentar matar a fome apenas lendo o cardápio”.
Desconheço a autoria.
Tapera (RS) perdeu neste final de semana uma grande figura, como pessoa e como empresário: Carlos Alberto Carlan Martins, o “Carlão”, aos 83 anos, ele que vinha lutando contra o câncer.
Ele era proprietário da Taperatur, empresa de transportes reconhecida na região pela cor rosa dos seus ônibus, e da Funerária Carlan.
O Carlão foi um grande amigo, sempre muito espirituoso e com uma generosidade ímpar. Em seu ofício, além de todos os serviços prestados, buscava confortar as pessoas nos momentos mais difíceis de sua vida: o da perda de um ente querido.
Sempre de bom humor, ríamos muito quando nos encontrávamos pelas brincadeiras que fazíamos e, certa vez, ele me pregou uma peça inacreditável e inesquecível — sabendo do meu medo relacionado a tudo o que envolve o universo funerário.
Eis que, quando eu era vendedor da antiga Rádio Gazeta, fui até a sede das empresas dele, para fazer a cobrança mensal. Cheguei lá, não encontrei a secretária, mas vi que o carro dele estava parado na frente da firma.
Eu, então, o chamei, até que ele atendeu, me pedindo para entrar na sala dos caixões — sabendo que eu não entraria lá de modo algum. Eu disse que voltaria lá outra hora, ao que ele respondeu que estava com o cheque pronto na carteira. Então, para não ter de voltar, pois tinha outros lugares para ir, respirei fundo e resolvi encarar o meu medo, entrando na tal da sala.
Dei uns pares de passos e, ao chegar perto de um caixão, inacreditavelmente, o Carlão levantou de dentro dele, para me dar um susto. Eu larguei a nota fiscal da cobrança e saí em disparada.
No final do dia, ele foi até à rádio levar o cheque, com aquela assinatura inconfundível dele, cheia de círculos. E, até a semana seguinte, tive que aturar os deboches dos colegas, que ficaram sabendo da peça que o Carlão havia me pregado na funerária.
Com certeza, o título de Cidadão Taperense, que a Câmara de Vereadores concedeu a ele, em 2022, foi extremamente merecido, por tudo o que ele fez por Tapera e pelas entidades do município, ao longo de mais de 50 anos, tendo vindo de Cruz Alta no começo dos anos 1970.
A partir de agora, lembrarei com carinho deste amigo alegre e bem humorado. Uma figuraça que poderia ter ficado entre nós por mais tempo.
Olhando as reportagens sobre os estragos que as águas provocaram aqui no Estado, chamou a minha atenção que em alguns lugares elas subiram mais de 30 metros. Imagina… Se pegarmos por base a Igreja Matriz de Tapera (RS), que mede 48 metros, a água encobriria a estátua do Cristo no alto dela. Foi muita chuva na Serra gaúcha e que foi alagando cidades inteiras e levando tudo a sua frente.
O que aconteceu no RS é resultado das mudanças climáticas que estão ocorrendo em todo o planeta, que está em transformação.
Mas, olhando o Fantástico outro dia, a reportagem mostrou o que certas cidades fizeram para acabar com as inundações e, consequentemente, com os prejuízos e mortes.
Ela citou quatro delas: Nova Iorque (EUA), que vive constantemente alagada; Nova Orleans (EUA), que sofreu com o furacão Katrina, em 2005, que a devastou completamente; Dingnan (China), que convivia com enchentes que a devastava e também o campo; e Kuijken (Holanda), que fica abaixo do nível do mar, e que sofria com enchentes e grandes perdas.
Nestas quatro cidades foram realizadas algumas ações como o erguimento dos muros, dragagem de rios e canais, instalação de potentes bombas anfíbias que retiram grande volume de água das ruas, desaceleração de rios, com desvios e barragens; construção de diques, e o mais importante: a retirada de casas das áreas ribeirinhas, sendo que nestes locais foram criadas áreas de “escape” que servem de parque em dias normais e de absorção da água quando as chuvas são excessivas. E tudo funciona bem.
Também chamou atenção que um arquiteto e urbanista chinês criou o conceito de Cidade Esponja, onde a água é desviada naturalmente para locais sem nenhuma pavimentação, com grandes áreas de terra plantadas com grama e flores, e a recuperação de banhados que absorvem rapidamente a água não deixando sua lâmina aumentar.
Resumindo, essas enchentes aqui no RS têm solução, mas é preciso investimentos e vontade política. Se não for feito isso essas loucuras do clima tornarão a acontecer, cada vez mais grave e mortal.
“Se mentir fosse um trabalho, sei que algumas pessoas seriam bilionárias”.
Desconheço a autoria.
O Rio Grande do Sul está pensando neste momento em socorrer pessoas e fazer o possível para que elas retornem às suas casas, pelo menos aquelas que tem condições de habitabilidade, por que em alguns lugares do Estado elas não existem mais e nem a cidade.
Depois que este pesadelo passar será hora de reconstruir parte do Rio Grande do Sul. Mas, como fazê-lo? E com que dinheiro? Estas são apenas duas perguntas que precisarão de resposta o mais breve possível.
O que aconteceu aqui é semelhante à guerra, como que bombas, muitas delas, tivessem caído do céu durante meses. O cenário é igual.
E falando em guerra, lembrei que após a 2ª Guerra Mundial, os EUA criaram um plano, o Marshall, para recuperar a Europa devastada. O trabalho foi feito, mas foi preciso muito dinheiro, muito trabalho, muita gente e material e muito tempo. Mas, a Europa foi reconstruída e está aí hoje muito bem.
Aqui vai ser preciso fazer algo semelhante por que o Brasil não tem dinheiro para custear esta recuperação e ações sociais de nada adiantarão. O dinheiro terá de vir de fora e em grande quantidade.
O pessoal fala em reconstrução de cidades em outro lugar, longe do rio. Mas, como farão isso, pois não será fácil construir uma cidade nova com tudo que uma possui: casas, prédios, comércios, indústrias, prefeitura, câmara de vereadores, fórum, MP, cartórios, ruas e tantos outros. E tem ainda a documentação pública e privada que se foi com a água. Acredito que a maioria dos moradores vai preferir mudar de cidade o que causará um grande problema social naquela que os receber.
Outra coisa. Quem era proprietário de empresa, de qualquer natureza e tamanho, como fará para reconstruí-la e também a sua casa na nova cidade ou na que ele optar por viver?
Vaja o tamanho do problema que o Rio Grande do Sul enfrentará logo ali na frente.
Na manhã da última quarta-feira (15/05), na Câmara de Vereadores de Ibirubá, a Associação dos Municípios do Alto Jacuí (AMAJA) se reuniu para ver de que forma poderá ajudar os municípios atingidos pelas enchentes aqui no Estado, sendo que alguns deles foram completamente destruídos.
Na reunião, que eu participei, após os relatos dos prefeitos e vice-prefeitos prefeitos sobre a situação dos seus municípios, ficou definido que eles enviarão ajuda aos locais atingidos pelas chuvas, com cada um contribuindo com máquinas e caminhões de sua frota ou de terceirizados, para a limpeza e reconstrução das áreas afetadas. Também, que voluntários serão mobilizados nesta ajuda, e que o comboio se deslocará ao Vale do Taquari no próximo dia 21, permanecendo lá até o dia 24.
Impressionou ainda, os relatos de alguns prefeitos que estiveram nas áreas atingidas, pelo que viram lá e os relatos ouvidos de colegas prefeitos e de moradores. Nestes locais, a situação é desoladora, pois muitas cidades terão de trocar de lugar e começar tudo de novo, inclusive com documentações que foram todas perdidas.
Segundo eles ainda, Porto Alegre parou e, consequentemente, o Estado.
Tapera está ganhando mais uma cooperativa de crédito: a Cresol. Soube que ela se instalará na Avenida XV de Novembro, naquele prédio novo construído ao lado da Abençoadinho Veículos.
Com a vinda da Cresol, Tapera terá 10 cooperativas atuando em seu território: Sicredi, Cotrisoja, Santa Clara, Sicoob, Cotribá, CVale, Coeducars, Coprel e Unimed.
Nesta terça-feira (14/05), informado que fui pelo padre Osvaldo, pároco da Igreja Matriz de Tapera (RS), estive no Centro Comunitário Padre José Soder, no Bairro Brasília, para acompanhar o trabalho de um grupo de mulheres daquela comunidade, o Renovação, que se reúne todas as terças-feiras para produzir alimentos e estreitar os laços de sua amizade e o principal, ter uma atividade e também lazer.
O Renovação produz na cozinha diversos tipos de alimentos, sendo que naquele dia elas se reuniram para produzir bolachas para serem enviadas aos desabrigados das enchentes que assolam o Rio Grande do Sul.
As mulheres, quando se reúnem, em um ambiente muito animado, produzem além de bolachas, massas, bolos, cuecas viradas, pães, lasanhas, entre outros.
O grupo, que tem aproximadamente 30 senhoras, além de produzir alimentos para as suas famílias, também têm um momento de lazer nos encontros e após as atividades na cozinha elas fazem ginástica, jogam bolãozinho e até sai bailinho com muita música e animação.
Segundo elas, a matéria prima para a produção dos alimentos é custeada por elas e que recebem ainda ajuda da Fundação Fabrício e Isolde Marasca e também do padre Osvaldo.
Elas agradecem enormemente à Capela Nossa Senhora de Fátima, da qual fazem parte, por lhes ceder o pavilhão para os seus encontros e ainda fornecer luz e água.
E na saída eu fui brindado com um saco de bolachas que foram consumidas na mesma tarde. Estavam muito gostosas e agradeço aqui a gentileza e a recepção.
Tendo em vista este desastre natural que devastou boa parte do Rio Grande do Sul, a partir de agora, nós gaúchos vamos ver o resto do Brasil com outros olhos, pois veio muita ajuda e muita solidariedade de todas as partes dele.
O Brasil mostrou que gosta da gauchada e do RS. Não por que tem muito gaúcho espalhado por este país continental e muito contribuiu com o desenvolvimento de onde fincou raízes, mas por que sabe que quando é chamado ele retribui, como sempre o fez, por que o gaúcho é um povo acolhedor e solidário.
Que orgulho de ser gaúcho. E que orgulho de ser brasileiro, irmão de toda essa gente que habita todos os estados da federação.